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	<title>Projecto Eurásia</title>
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	<description>Portal de Estudos Geopolíticos</description>
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		<title>Projecto Eurásia</title>
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		<title>Comunicado do CRL &#8211; Solidariedade Pan-Latinista com Honduras</title>
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		<pubDate>Sun, 28 Jun 2009 22:44:40 +0000</pubDate>
		<dc:creator>revistarevolucao</dc:creator>
				<category><![CDATA[Pan-Latinismo]]></category>

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		<description><![CDATA[O Círculo de Revolucionários Livres vem deste modo manifestar o seu repúdio para com o golpe de Estado levado a cabo na República das Honduras neste Domingo, 28 de Junho, contra um governo democraticamente eleito. Acreditamos que este golpe e a subsequente falsificação da declaração de renúncia do presidente Manuel Zelaya são um mau prenúncio [...]<img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=projectoeurasia.wordpress.com&amp;blog=7432799&amp;post=79&amp;subd=projectoeurasia&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><img class="alignleft size-thumbnail wp-image-80" title="Honduras" src="http://projectoeurasia.files.wordpress.com/2009/06/honduras.jpg?w=150&#038;h=100" alt="Honduras" width="150" height="100" />O Círculo de Revolucionários Livres vem deste modo manifestar o seu repúdio para com o golpe de Estado levado a cabo na República das Honduras neste Domingo, 28 de Junho, contra um governo democraticamente eleito.</p>
<p>Acreditamos que este golpe e a subsequente falsificação da declaração de renúncia do presidente Manuel Zelaya são um mau prenúncio e de um possível balão de ensaio de uma nova política de bastidores levada a cabo pelas mesmas forças ocultas que sempre impulsionaram golpes de Estado na América do Sul: leia-se os serviços secretos imperialistas dos Estados Unidos da América, certamente ainda não disciplinados por Obama…<span id="more-79"></span></p>
<p>Manifestamos também a nossa clara apreensão para com o facto de o golpe de Estado não ter afectado somente o governo de Manuel Zelaya mas também os representantes diplomáticos da Venezuela, de Cuba e da Nicarágua, que além de sequestrados foram agredidos, um acto claro de hostilidade para com representantes oficiais de países terceiros.</p>
<p>O Círculo de Revolucionários Livres, associação que desde a sua fundação tem demonstrado a sua solidariedade para com a República Bolivariana da Venezuela, estende a sua solidariedade ao povo das Honduras, e ao seu mandatário Manuel Zelaya, nação irmã da Venezuela e parte do grande espaço Pan-Latino que é também nosso.</p>
<p><strong>Círculo de Revolucionários Livres</strong><br />
Lisboa, 28 de Junho de 2009</p>
<br />  <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gocomments/projectoeurasia.wordpress.com/79/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/comments/projectoeurasia.wordpress.com/79/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godelicious/projectoeurasia.wordpress.com/79/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/delicious/projectoeurasia.wordpress.com/79/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gofacebook/projectoeurasia.wordpress.com/79/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/facebook/projectoeurasia.wordpress.com/79/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gotwitter/projectoeurasia.wordpress.com/79/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/twitter/projectoeurasia.wordpress.com/79/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gostumble/projectoeurasia.wordpress.com/79/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/stumble/projectoeurasia.wordpress.com/79/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godigg/projectoeurasia.wordpress.com/79/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/digg/projectoeurasia.wordpress.com/79/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/goreddit/projectoeurasia.wordpress.com/79/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/reddit/projectoeurasia.wordpress.com/79/" /></a> <img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=projectoeurasia.wordpress.com&amp;blog=7432799&amp;post=79&amp;subd=projectoeurasia&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></content:encoded>
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			<media:title type="html">Honduras</media:title>
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		<title>Globalistas temem uma aliança entre a Bielo-Rússia e o Irão</title>
		<link>http://projectoeurasia.wordpress.com/2009/04/22/globalistas-temem-uma-alianca-entre-a-bielo-russia-e-o-irao/</link>
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		<pubDate>Wed, 22 Apr 2009 22:41:26 +0000</pubDate>
		<dc:creator>revistarevolucao</dc:creator>
				<category><![CDATA[Geopolítica Eurásica]]></category>

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		<description><![CDATA[A crise económica global do último ano está a desempenhar o seu papel na recriação de novas fronteiras e alianças políticas. Uma das mais danosas para os interesses dos EUA é o desenvolvimento de laços financeiros e militares entre a Bielo-Rússia e o Irão. Embora a Bielo-Rússia seja um pequeno país, herdou um poderoso aparato [...]<img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=projectoeurasia.wordpress.com&amp;blog=7432799&amp;post=76&amp;subd=projectoeurasia&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><img class="alignleft size-full wp-image-77" title="raphael" src="http://projectoeurasia.files.wordpress.com/2009/04/raphael.jpg?w=470" alt="raphael"   />A crise económica global do último ano está a desempenhar o seu papel na recriação de novas fronteiras e alianças políticas. Uma das mais danosas para os interesses dos EUA é o desenvolvimento de laços financeiros e militares entre a Bielo-Rússia e o Irão.</p>
<p>Embora a Bielo-Rússia seja um pequeno país, herdou um poderoso aparato técnico e científico da URSS, e os iranianos desejam usufruir deste enquanto se preparam para um possível ataque israelita.</p>
<p>Uma vez que os russos têm vindo gradualmente a reduzir os seus subsídios petrolíferos ao Estado bielorusso, o presidente Alexander Lukashenko vê-se forçado a encontrar aliados noutros lados, entre eles o Irão e os Emiratos Árabes Unidos (EAU).<span id="more-76"></span></p>
<p>A economia bielorussa é a mais saudável de todos os ex Estados soviéticos, com a menor taxa de desemprego e o número mais elevado de excedentes comerciais. O Irão e a Bielo-Rússia estão explicitamente a tentar transformar-se no centro de um novo bloco comercial independente dos EUA e da União Europeia, enraizado no livre comércio mas também na soberania dos povos. Este é um bloco antiglobalista que inclui a China, os EAU e a Arménia entre os seus membros.</p>
<p>As firmas petrolíferas bielorussas já assinaram contratos com o governo iraniano destinados à construção de plataformas petrolíferas e assistência técnica, uma vez que a Bielo-Rússia, no decorrer da Guerra-fria, era especializada na refinação petrolífera.</p>
<p>“Acreditamos que há necessidade de criar um sistema multipolar no mundo, o qual se caracteriza pelo balanço e pelo equilíbrio. Somos contra um sistema unipolar e contra a utilização da pressão sobre outros Estados”, afirmou o presidente iraniano. “É por esta razão que temos um ponto de vista positivo no que refere a diálogos bilaterais e multilaterais em vários níveis [com a Bielo-Rússia],” acrescentou. Uma ordem mundial enraizada na soberania e na descentralização é o real propósito por trás deste bloco.</p>
<p>O produtor automóvel iraniano, IKCO, retribuiu o favor e encontra-se a usufruir das habilidades técnicas bielorussas investindo fortemente no país. Num comunicado de imprensa conjunto recentemente emitido, os dois países efectuaram diversas afirmações: Primeira, que a crise económica global é da responsabilidade dos EUA e dos seus esquemas globalizantes. Segundo, que a razão de ser do bloco Irão/Bielo-Rússia é a de auxiliar a combater esta crise, e que a cooperação militar constituirá uma ampla parte desta cooperação. O Irão também se encontra numa fase de “alteração de moeda corrente” com o Banco Central Chinês, no qual o dólar estadunidense está a ser lentamente deixado de parte. Os chineses estão a apostar na utilização de diversas moedas de modo a evitarem uma dependência do dólar e ainda para diversificarem as suas reservas monetárias.</p>
<p>Isto é extremamente irritante para as organizações não governamentais (ONG) defensoras dos “direitos humanos” e para o Departamento de Estado dos EUA. Tanto o Irão como a Bielo-Rússia estão a desenvolver laços militares substanciais, e a imprensa global está apreensiva de que isto possa levar a que a Bielo-Rússia seja o veículo transmissor da tecnologia balística e nuclear russa para o Irão.</p>
<p>Este pensamento originou diversas reacções histéricas no Ocidente. A Rádio Liberdade condenou este bloco por considerar que este anula as sanções EUA-Israel contra o Irão, uma vez que o comércio flúi livremente da Bielo-Rússia, da Rússia, da Índia e da China para o Irão. As sanções dos EUA e de Israel foram colocadas de parte.</p>
<p><strong>Matthew Raphael Johnson</strong><br />
13 de Abril de 2009<br />
<em>American Free Press</em></p>
<br />  <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gocomments/projectoeurasia.wordpress.com/76/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/comments/projectoeurasia.wordpress.com/76/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godelicious/projectoeurasia.wordpress.com/76/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/delicious/projectoeurasia.wordpress.com/76/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gofacebook/projectoeurasia.wordpress.com/76/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/facebook/projectoeurasia.wordpress.com/76/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gotwitter/projectoeurasia.wordpress.com/76/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/twitter/projectoeurasia.wordpress.com/76/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gostumble/projectoeurasia.wordpress.com/76/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/stumble/projectoeurasia.wordpress.com/76/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godigg/projectoeurasia.wordpress.com/76/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/digg/projectoeurasia.wordpress.com/76/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/goreddit/projectoeurasia.wordpress.com/76/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/reddit/projectoeurasia.wordpress.com/76/" /></a> <img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=projectoeurasia.wordpress.com&amp;blog=7432799&amp;post=76&amp;subd=projectoeurasia&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></content:encoded>
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		<item>
		<title>Saudade</title>
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		<pubDate>Mon, 20 Apr 2009 19:01:50 +0000</pubDate>
		<dc:creator>revistarevolucao</dc:creator>
				<category><![CDATA[Geopolítica Eurásica]]></category>
		<category><![CDATA[Geopolítica Lusófona]]></category>

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		<description><![CDATA[Há simplesmente a Sérvia, há simplesmente Portugal. Mas a Sérvia respira, vibra, não por sim mesma – como ela é, com hábeis construtores, astutos homens de negócios e o típico caos eslavo, &#8212; mas pelo grande sonho do império pan-balcânico de Dushan o Forte, por uma vontade firme de uma Sérvia maior, pelo étnos eslavo, [...]<img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=projectoeurasia.wordpress.com&amp;blog=7432799&amp;post=69&amp;subd=projectoeurasia&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><img class="alignleft size-thumbnail wp-image-46" title="aleksandrdugin" src="http://projectoeurasia.files.wordpress.com/2009/04/aleksandrdugin.jpg?w=100&#038;h=150" alt="aleksandrdugin" width="100" height="150" />Há simplesmente a Sérvia, há simplesmente Portugal.</p>
<p>Mas a Sérvia respira, vibra, não por sim mesma – como ela é, com hábeis construtores, astutos homens de negócios e o típico caos eslavo, &#8212; mas pelo grande sonho do império pan-balcânico de Dushan o Forte, por uma vontade firme de uma Sérvia maior, pelo étnos eslavo, ardente, transcendental, apaixonado e orgulhoso. “Darei a vida por ti, minha Pátria. Sei que dou e por que dou,” – foi escrito nas paredes das casernas dos servos bosníacos, erigidas no grande Amor do poeta mobilizado Radovan Karadjitch.</p>
<p>Portugal – apenas pequeno país europeu – não é rico nem influente. Não tem hoje absolutamente nada de que se orgulhar. Mas vive no pequeno povo ribeirinho o sonho secreto do “império do rei Sebastião” a esperança no “quinto Império”<span id="more-69"></span>, a aparição impossível, à qual se esforçou por aproximar-se o notável escritor francês, místico, político e lobbiista  geopolítico Domenic de Rue. Na língua portuguesa existe a palavra intraduzível “saudade”. Ela significa “nostalgia”, “melancolia”, “sofrimento”, mas ao mesmo tempo – “sentimento patriótico”. Grande melancolia e grande patriotismo expressos numa só palavra “saudade”. Sacerdote desta inconcebível e extravagante religião foi Fernando Pessoa, o melhor poeta português contemporâneo.</p>
<p>Que dizer, porém, da Rússia, matriz mundial do mais extremo e tenso  erotismo “dostoevskiano” e do mais alto, ultimo e absoluto sonho imperial? Não se mistura a nossa tristeza com o nosso sonho, e o nosso povo com o nosso Deus? Não será que a nossa predestinação nacional é o que dá vida, torna racionais todos os nossos sofrimentos, o nosso terrível, torturante,  cegamente imprevisível caminho através da história?</p>
<p>Vivemos apenas a terceira figura imperial, o fluxo de sangue do Último Amor, da Última Rússia, anormal, impossível, maior que tudo que é sensato e insensato. Por ela pagam não só com a vida – com a alma.</p>
<p>“Se diz exército santo, deita-me fora, Rússia, vive no paraíso.— Eu digo, não é preciso o paraíso, dai a minha  Pátria ” (S. Esenin). É preciso Compreender isto à letra, como ponto da nossa plataforma política geral nacional.</p>
<p>O amor e a nação têm um começo, mas não têm fim. Desenvolvendo-se na existência, subindo o grau interior, deslocam-se elas para objectivos posteriores, mais longínquos, (atingi-los é impossível), lançando-se na cratera dramática da guerra com a própria morte.</p>
<p><strong>Aleksandr Dugin</strong><br />
<em>A Coisa Russa</em></p>
<p><strong>Tradução:</strong> Joaquim Reis</p>
<br />  <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gocomments/projectoeurasia.wordpress.com/69/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/comments/projectoeurasia.wordpress.com/69/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godelicious/projectoeurasia.wordpress.com/69/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/delicious/projectoeurasia.wordpress.com/69/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gofacebook/projectoeurasia.wordpress.com/69/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/facebook/projectoeurasia.wordpress.com/69/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gotwitter/projectoeurasia.wordpress.com/69/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/twitter/projectoeurasia.wordpress.com/69/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gostumble/projectoeurasia.wordpress.com/69/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/stumble/projectoeurasia.wordpress.com/69/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godigg/projectoeurasia.wordpress.com/69/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/digg/projectoeurasia.wordpress.com/69/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/goreddit/projectoeurasia.wordpress.com/69/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/reddit/projectoeurasia.wordpress.com/69/" /></a> <img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=projectoeurasia.wordpress.com&amp;blog=7432799&amp;post=69&amp;subd=projectoeurasia&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></content:encoded>
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		<title>A Lusofonia, o Pan-Latinismo e a Eurásia como alternativas ao Atlantismo</title>
		<link>http://projectoeurasia.wordpress.com/2009/04/20/a-lusofonia-o-pan-latinismo-e-a-eurasia-como-alternativas-ao-atlantismo/</link>
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		<pubDate>Mon, 20 Apr 2009 18:58:34 +0000</pubDate>
		<dc:creator>revistarevolucao</dc:creator>
				<category><![CDATA[Geopolítica Eurásica]]></category>
		<category><![CDATA[Geopolítica Lusófona]]></category>
		<category><![CDATA[Pan-Latinismo]]></category>

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		<description><![CDATA[Lusofonia é o conjunto de identidades culturais existentes em países, regiões, estados ou cidades falantes da língua portuguesa como Angola, Brasil, Cabo Verde, Galiza, Guiné-Bissau, Macau, Moçambique, Portugal, São Tomé e Príncipe, Timor-Leste e por diversas pessoas e comunidades em todo o mundo. A Eurásia é a massa que forma em conjunto a Europa e [...]<img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=projectoeurasia.wordpress.com&amp;blog=7432799&amp;post=67&amp;subd=projectoeurasia&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><img class="alignleft size-thumbnail wp-image-59" title="flaviogoncalves01" src="http://projectoeurasia.files.wordpress.com/2009/04/flaviogoncalves01.jpg?w=127&#038;h=150" alt="flaviogoncalves01" width="127" height="150" />Lusofonia é o conjunto de identidades culturais existentes em países, regiões, estados ou cidades falantes da língua portuguesa como Angola, Brasil, Cabo Verde, Galiza, Guiné-Bissau, Macau, Moçambique, Portugal, São Tomé e Príncipe, Timor-Leste e por diversas pessoas e comunidades em todo o mundo.</p>
<p>A Eurásia é a massa que forma em conjunto a Europa e a Ásia. Pode ser considerada como um continente, ou mesmo um supercontinente composto pelos continentes europeu e asiático, separados pela cordilheira dos Montes Urais. Alguns países como a Rússia e Turquia estão nos dois continentes.<span id="more-67"></span></p>
<p>O Atlantismo é uma doutrina política que advoga uma intensa cooperação entre os Estados Unidos, Canadá e os países da Europa, nos domínios político, militar e económico, a qual deve ser encorajada e desenvolvida, devido à comunhão de valores entre estes países.</p>
<p>in Wikipédia, a enciclopédia livre</p>
<p>Não me tinha ocorrido participar directamente no projecto da Nova Águia, ao início julguei que sentiria ser suficiente promover e divulgar o projecto sem a tentação de submeter qualquer texto meu, textos esses que componho meramente porque me fazem sentir um pouco mais livre. Com as diversas apresentações da revista e do Movimento Internacional Lusófono bem como diversas leituras posteriores do Manifesto que anima os dois projectos, senti-me tentado a colaborar mais activamente, com a aquisição e leitura do primeiro número da revista solidifiquei essa tentação numa certeza: identifico-me com o projecto, logo nada mais lógico que tentar participar mais activamente neste.</p>
<p>Tendo sido informado da data limite para o envio de colaborações bem como a temática geral do segundo número, António Vieira e o Futuro da Lusofonia, senti-me um pouco desanimado, estou mais familiarizado com a obra de Agostinho da Silva e optei por submeter um texto meu apenas para o terceiro número da revista. Os dias passaram e fui remoendo a temática do segundo número, posso não estar familiarizado com a obra de António Vieira, mas tenho alguma familiaridade com a Lusofonia… colaboro em diversos projectos lusófonos e, mais que isso, estava também familiarizado com outras ideias antagonistas ao Atlantismo, ideias nas quais se inserem, além da Lusofonia, o pan-latinismo (ideia recente que advoga uma união e/ou colaboração mais directa entre os povos da Europa Latina e da América Latina) e a Eurásia. Porque não redigir um pequeno ensaio acerca da Lusofonia como alternativa ao Atlantismo, algo que nos é tão extraterrestre quanto presente no dia a dia?</p>
<p>Sendo um apologista da ideia da Eurásia como contraposição ao Atlantismo, ainda considero esta como uma solução perfeitamente válida e só agora, com o (re)nascimento da Águia compreendo que nunca considerei a Lusofonia – encarnada na realidade da CPLP – por uma questão geracional, nasci 5 anos após o 25 de Abril e não conheci o Portugal lusófono, mais que isso: herdei toda uma culpa de um passado que muitos pintam em berrantes cores como colonizador, imperialista e por vezes até racista e esclavagista, um legado demasiado pesado para a minha geração. Não! A solução teria de ser outra, o antagonismo que me surgiu como sendo mais válido foi a ideia da Eurásia, nascida já nos anos 20 mas só agora em velocidade de cruzeiro muito graças ao esforço teórico de Aleksandr Dugin e às concretizações práticas de Vladimir Putin, não é por mero acaso que o primeiro foi conselheiro geopolítico do segundo.</p>
<p>Familiarizando-me posteriormente com a obra do já falecido cientista político argentino Norberto Ceresole, curiosamente também conselheiro político de outro político em ascensão, o venezuelano Hugo Chávez Frias, também por intermédio dos apologistas da ideia da Eurásia encontrei o Pan-Latinismo.</p>
<p>Ora bem, a ascensão do Pan-Latinismo deve-se em muito aos esforços emancipadores da Venezuela bolivariana, este acaba por se tornar uma ramificação autónoma da ideia da Eurásia, embora afastado materialmente (leia-se geograficamente) desta, o espírito está plenamente presente na formação de um novo bloco geopolítico na América Latina, fruto da semente plantada no decorrer da Guerra Fria pelos cientistas políticos da Academia de Ciências da União Soviética e constantemente fertilizada pelos disparates da política externa das mais recentes administrações estadunidenses.</p>
<p>Xenofilia descarada? Admito que sim, um jovem português que procura soluções na fria Sibéria e na distante Caracas, soluções nas ideias concebidas longe do pátrio solo, soluções pensadas como novos impérios que contraponham o Atlantismo ocidentalista do Império estadunidense e do Estado europeu, a famosa União Europeia que transformou Portugal numa mera região comunitária com os resultados que estão à vista: miséria, pobreza, depressão e desespero.</p>
<p>Ah, a Lusofonia… tão ancestral, tão presente… uma ideia tão antiga, embora ainda maculada com os fantasmas do passado, complexos de colonizador por parte de uns e complexos de colonizados por parte de outros. Uma ideia antagonista realmente original, uma ideia – e uma alternativa – despojada de quaisquer desejos de Império, tão irrelevantes são consideradas as nações lusófonas individualmente, uma alternativa já em construção – embora demasiado estática ainda – desde a formação da Comunidade dos Países de Língua Portuguesa. Mais que tudo isso, uma ideia verdadeiramente nacional, inspirada na obra dos nossos antepassados e nas aspirações dos nossos autores.</p>
<p>A Lusofonia surge como a mais lógica, e racional, alternativa ao Atlantismo. Uma comunidade cultural variada – tendencialmente oriental – que contraponha a uniformização mundial do Atlantismo, que ao ritmo actual já nos tem a todos a comer, ler, ouvir e a vestir o mesmo, vivamos em Lisboa, no Corvo, em Vladivostok ou até em Caracas. No Zambeze ou em Dili.</p>
<p>Com base no passado português a Lusofonia é uma realidade tão presente que nem devia ser discutida, está aqui, existe, há que aproveitar o que há em vez de sonhar eternamente com o que não há, em xenofilias utópicas que por mais belas que aparentem ser não são reais, residem apenas no campo teórico.</p>
<p>O Pan-Latinismo e a Eurásia são alternativas válidas ao Atlantismo? Sim! Certamente, mas apenas na teoria, a Lusofonia já cá está!</p>
<p><strong>Flávio Gonçalves</strong><br />
2º Semestre de 2008<br />
<em>Nova Águia</em></p>
<br />  <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gocomments/projectoeurasia.wordpress.com/67/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/comments/projectoeurasia.wordpress.com/67/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godelicious/projectoeurasia.wordpress.com/67/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/delicious/projectoeurasia.wordpress.com/67/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gofacebook/projectoeurasia.wordpress.com/67/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/facebook/projectoeurasia.wordpress.com/67/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gotwitter/projectoeurasia.wordpress.com/67/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/twitter/projectoeurasia.wordpress.com/67/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gostumble/projectoeurasia.wordpress.com/67/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/stumble/projectoeurasia.wordpress.com/67/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godigg/projectoeurasia.wordpress.com/67/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/digg/projectoeurasia.wordpress.com/67/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/goreddit/projectoeurasia.wordpress.com/67/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/reddit/projectoeurasia.wordpress.com/67/" /></a> <img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=projectoeurasia.wordpress.com&amp;blog=7432799&amp;post=67&amp;subd=projectoeurasia&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></content:encoded>
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		<title>Uma vitória checa para a Eurásia</title>
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		<pubDate>Mon, 20 Apr 2009 18:52:34 +0000</pubDate>
		<dc:creator>revistarevolucao</dc:creator>
				<category><![CDATA[Geopolítica Atlantista]]></category>

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			<content:encoded><![CDATA[<p><img class="alignleft size-thumbnail wp-image-64" title="jantamas" src="http://projectoeurasia.files.wordpress.com/2009/04/jantamas.jpg?w=115&#038;h=150" alt="jantamas" width="115" height="150" />Caros amigos,</p>
<p>Tenho a satisfação de vos informar que o governo checo caiu. O parlamento aprovou uma moção de censura. Para nós é uma grande vitória: sabíamos que a única maneira de travar a instalação de um radar dos EUA na República Checa passaria pela queda do governo e durante mais de dois anos trabalhamos com esse propósito em vista, permanentemente e coerentemente. Um governo que representava os interesses da indústria militar dos EUA caiu.</p>
<p>O nosso trabalho foi fundamental em encorajar os membros do parlamente que já eram contra a instalação do radar e em disseminar a dúvida entre aqueles que eram a favor. E foi precisamente a mudança de opinião por parte de alguns deputados que tornou possível a queda do governo.<span id="more-63"></span></p>
<p>Por outro lado, pressionado pela greve de fome, o Partido Social-democrata viu-se forçado a tornar clara a sua posição de apoio para connosco e isto fará com que lhes seja difícil alterar a sua posição acerca da colocação do radar no futuro. A colaboração com o Partido Comunista, que sempre apoiou as nossas iniciativas, foi também decisiva.</p>
<p>Obrigado a todos vós pelo apoio que nos deram em muitas actividades, apoio esse que foi crucial.</p>
<p>Obrigado a todos as organizações pacifistas, obrigado aos membros do Parlamento Europeu que acreditaram na nossa luta, obrigado aos presidentes de câmara de outros países, obrigado ao Movimento Humanista, tudo isto permitiu que este protesto se expandisse a muitos países europeus e a chegar a outros continentes.</p>
<p>Há que dar destaque a estas notícias. Agora os EUA têm que repensar os seus planos graças ao protesto de um povo que não quis tropas estrangeiras no seu território. E os exércitos invasores devem retirar-se de todos os territórios ocupados em todo o mundo.</p>
<p>È agora necessário desenvolver uma forte oposição ao programa da “Guerra das Estrelas” e a favor do desarmamento nuclear também noutros países.</p>
<p>Agora, na República Checa, inicia-se um novo capítulo do nosso combate.</p>
<p>Um abraço forte,</p>
<p><strong>Jan Tamas</strong><br />
29 de Março de 2009<br />
<em>Movimento Humanista</em></p>
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		<title>O Regresso da Rússia</title>
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		<pubDate>Mon, 20 Apr 2009 18:47:33 +0000</pubDate>
		<dc:creator>revistarevolucao</dc:creator>
				<category><![CDATA[Geopolítica Atlantista]]></category>
		<category><![CDATA[Geopolítica Eurásica]]></category>

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		<description><![CDATA[Há alguns anos, quase uma década se os contar bem, quando trabalhava como vigilante num dos estaleiros instalados à pressa na nossa ilha para levar a cabo a reconstrução depois do cataclismo de 98, recordo vivamente o surto de silêncio que surgia sempre que, normalmente no horário das refeições, surgia alguma notícia referente a Vladimir [...]<img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=projectoeurasia.wordpress.com&amp;blog=7432799&amp;post=58&amp;subd=projectoeurasia&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><img class="alignleft size-thumbnail wp-image-59" title="flaviogoncalves01" src="http://projectoeurasia.files.wordpress.com/2009/04/flaviogoncalves01.jpg?w=127&#038;h=150" alt="flaviogoncalves01" width="127" height="150" />Há alguns anos, quase uma década se os contar bem, quando trabalhava como vigilante num dos estaleiros instalados à pressa na nossa ilha para levar a cabo a reconstrução depois do cataclismo de 98, recordo vivamente o surto de silêncio que surgia sempre que, normalmente no horário das refeições, surgia alguma notícia referente a Vladimir Putin na televisão – na altura presidente da Federação Russa – por parte da maioria eslava presente.</p>
<p>Sendo açoriano e não estando habituado a manifestações deste género, por terras lusas a atenção dispendida aos nossos governantes é praticamente nula, exceptuando o habitual maldizer dos cafés que já é mais um feitio muito nacional do que um defeito. O certo é que na altura fiquei com muito boa impressão dum presidente que inspirasse tanto respeito e interesse por parte dos seus cidadãos, creio que em Portugal tal coisa nunca ocorreu, embora recorde que ainda no meu tempo de escola primária talvez o Cavaco Silva… mas adiante.<span id="more-58"></span></p>
<p>O facto é que o mundo voltou a notar na Rússia com a sua mais recente manifestação de força na Geórgia, muitos cronistas e opinadores da imprensa nacional têm referido este “despertar russo” como algo súbito e inesperado eu, pela minha parte, há muito que o notava, para qualquer entusiasta da geopolítica e da ciência política era nítido que a actual situação internacional era insustentável, o mundo necessitava de um novo contrapeso às aventuras estadunidenses e a opção mais válida era a de sempre: a Rússia (embora a China se aproxime a passos largos do estatuto de potência mundial incontornável).</p>
<p>A Rússia tem manifestado a sua presença quase permanentemente, mas de modo subtil, aconselhando e desaconselhando, optando por manter um perfil mais baixo quando lhe convinha e sendo, também, piamente ignorada (as aventuras bélicas no Médio Oriente e as sanções ao Irão) pela comunidade internacional quando tal interessava.</p>
<p>A coisa não podia durar muito mais e a gota de água aconteceu na Geórgia, os EUA manifestam revigorar-se com a actual obamania, George W. Bush demonstrou durante os últimos anos o poderio militar à disposição do bloco único, Saakashvili providenciou, ingenuamente, a oportunidade da Rússia dar o troco: a horda russa derrotou por completo o exército georgiano em meras 48 horas – maior manifestação de destreza militar seria difícil!</p>
<p>Na verdade a Rússia não despertou, o mundo é que despertou para a Rússia, a próspera e moderna Rússia enfrentou os seus fantasmas czaristas e soviéticos e surge uma vez mais na cena internacional. Uma segunda guerra fria? Há quem a queira, não hajam dúvidas, o Ocidente endividado e enfastiado com os seus políticos precisa duma qualquer ameaça que entretenha a carneirada a caminho do matadouro e o regime russo, por sua vez, precisa de uma qualquer ameaça externa – depois de derrotados os oligarcas – que entretenha o povo e o distraia do controlo cada vez mais apertado que o Estado vai exercendo.</p>
<p><strong>Flávio Gonçalves</strong><br />
19 de Setembro de 2008<br />
<em>Tribuna das Ilhas</em></p>
<br />  <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gocomments/projectoeurasia.wordpress.com/58/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/comments/projectoeurasia.wordpress.com/58/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godelicious/projectoeurasia.wordpress.com/58/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/delicious/projectoeurasia.wordpress.com/58/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gofacebook/projectoeurasia.wordpress.com/58/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/facebook/projectoeurasia.wordpress.com/58/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gotwitter/projectoeurasia.wordpress.com/58/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/twitter/projectoeurasia.wordpress.com/58/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gostumble/projectoeurasia.wordpress.com/58/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/stumble/projectoeurasia.wordpress.com/58/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godigg/projectoeurasia.wordpress.com/58/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/digg/projectoeurasia.wordpress.com/58/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/goreddit/projectoeurasia.wordpress.com/58/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/reddit/projectoeurasia.wordpress.com/58/" /></a> <img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=projectoeurasia.wordpress.com&amp;blog=7432799&amp;post=58&amp;subd=projectoeurasia&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></content:encoded>
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		<title>Modernização sem Ocidentalização</title>
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		<pubDate>Mon, 20 Apr 2009 18:39:17 +0000</pubDate>
		<dc:creator>revistarevolucao</dc:creator>
				<category><![CDATA[Geopolítica Eurásica]]></category>

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		<description><![CDATA[A terceira posição No seu notável artigo, Samuel Huntington, descrevendo o futuro “choque de civilizações” (clash of civilizations), mencionou uma fórmula muito importante – “modernização sem ocidentalização” (modernization without westernization). Ele descreve a relação com os problemas do desenvolvimento socioeconómico e tecnológico de alguns países (por regra, do Terceiro mundo), os quais, compreendendo a necessidade [...]<img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=projectoeurasia.wordpress.com&amp;blog=7432799&amp;post=56&amp;subd=projectoeurasia&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><img class="alignleft size-thumbnail wp-image-46" title="aleksandrdugin" src="http://projectoeurasia.files.wordpress.com/2009/04/aleksandrdugin.jpg?w=100&#038;h=150" alt="aleksandrdugin" width="100" height="150" />A terceira posição</p>
<p>No seu notável artigo, Samuel Huntington, descrevendo o futuro “choque de civilizações” (clash of civilizations), mencionou uma fórmula muito importante – “modernização sem ocidentalização” (modernization without westernization). Ele descreve a relação com os problemas do desenvolvimento socioeconómico e tecnológico de alguns países (por regra, do Terceiro mundo), os quais, compreendendo a necessidade objectiva de desenvolvimento e aperfeiçoamento dos mecanismos políticos e económicos dos seus sistemas sociais, recusam-se a seguir cegamente o Ocidente, e pelo contrário, se esforçam por colocar algumas tecnologias ocidentais – opostas ao seu conteúdo ideológico – ao serviço dos sistemas de valores do seu carácter nacional, religioso e político. <span id="more-56"></span>Assim, muitos representantes das elites do Oriente, tendo recebido formação ocidental superior, regressam às suas pátrias equipados com conhecimentos e metodologias técnicas importantes, e aplicam estes conhecimentos no reforço da potência dos próprios sistemas nacionais. Deste modo, em vez da aproximação, esperada pelos liberais optimistas, entre civilizações, produz-se o armamento de alguns regimes “arcaicos”, “tradicionalistas” com novíssimas tecnologias, o que faz a confrontação civilizacional ainda mais aguda.</p>
<p>A esta penetrante análise pode juntar-se a consideração de que a maior parte dos intelectuais ocidentais eminentes, homens de cultura, personalidades criadoras, foram por si mesmas, em grau notável, não conformistas e anti-sistema, e por consequência, gente do Oriente, e, estudando os génios do Ocidente, apenas se reforçaram nas suas próprias posições críticas.</p>
<p>Um exemplo característico desta via é o principal pensador da revolução iraniana, o filósofo Ali Shariati. Estudou em Paris, assimilou Heidegger e Guénon, e também alguns autores neo-marxistas, e gradualmente chegou à convicção da necessidade duma síntese conservativo-revolucionária entre o Islão místico-shiita revolucionário, o socialismo e o existencialismo. Nomeadamente, Shariati pôde atrair à revolução a elite intelectual e a juventude iranianas, as quais, em caso contrário, dificilmente identificariam os seus ideais com o lúgubre tradicionalismo dos mullah. Este exemplo é especialmente importante, pois fala-se de revolução bem sucedida, concluída com a completa vitória do regime conservativo-revolucionário, anti-ocidental e anti-globalização.</p>
<p>Pelo mesmo caminho foram os russos eslavófilos, adoptando dos filósofos alemães (Herder, Fichte, Hegel) diversos modelos, que puseram na base da sua convicção nacional tipicamente russa. Este também é o método dos actuais eurasianos, criadores e re-elaboradores, nos interesses da Rússia, de doutrinas não conformistas das europeias “novas direitas” e “novas esquerdas”.<br />
<strong><br />
Aleksandr Dugin</strong><br />
<em>A Coisa Russa</em></p>
<p><strong>Tradução:</strong> Joaquim Reis</p>
<p><strong>Comentário do tradutor:</strong> Este pequenino artigo também tem aplicação para Portugal. Precisamos de nos livrar desta americanalhização em que os políticos nos meteram, ou seja, reviver e reforçar a nossa tradição nacional, na certeza de que nada há de bom – que esmolas não são coisa boa – nesta globalização europeia inspirada pelo “The American way of Death”, pois é a morte duma gloriosa nação que desde há muito se prepara. E não só recuperar a tradição, mas também a nossa independência, a nossa moeda e o nosso brio. E o convívio com os nossos irmãos ultramarinos. No Ultramar. E não esperemos qualquer auxílio da “Europa”. Joaquim Reis.</p>
<p>“Fazei, Senhor, que nunca os admirados<br />
Alemães, Galos, Ítalos e Ingleses,<br />
Possam dizer que são pera mandados,<br />
Mais que pera mandar, os Portugueses.”<br />
(Os Lusíadas, Canto X:152)</p>
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		<title>Escudo Antimíssil Balístico na Europa</title>
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		<pubDate>Mon, 20 Apr 2009 18:36:08 +0000</pubDate>
		<dc:creator>revistarevolucao</dc:creator>
				<category><![CDATA[Geopolítica Atlantista]]></category>
		<category><![CDATA[Geopolítica Eurásica]]></category>

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		<description><![CDATA[The major deterrent [to war] is in a man’s mind. The major deterrent in the future is going to be, not only what we have, but what we do, what we are willing to do, what they think we will do. Stamina, guts, standing up for the things we say &#8211; those are deterrents. Almirante [...]<img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=projectoeurasia.wordpress.com&amp;blog=7432799&amp;post=53&amp;subd=projectoeurasia&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><img class="alignleft size-thumbnail wp-image-54" title="armandojdiasferreira" src="http://projectoeurasia.files.wordpress.com/2009/04/armandojdiasferreira.jpg?w=111&#038;h=150" alt="armandojdiasferreira" width="111" height="150" />The major deterrent [to war] is in a man’s mind. The major deterrent in the future is going to be, not only what we have, but what we do, what we are willing to do, what they think we will do. Stamina, guts, standing up for the things we say &#8211; those are deterrents.</p>
<p>Almirante Arleigh Burke, 3 de Outubro de 1960</p>
<p>Desde há um ano que assistimos a uma dialética entre os EUA e a Federação Russa (FR) a propósito da intenção norte‑americana de instalar na Europa um “escudo antimíssil”. Será que estamos à beira de uma crise internacional como a que ocorreu em 1963, com a tentiva russa de instalar mísseis balísticos em Cuba? Que mudanças estratégicas estão em curso?<span id="more-53"></span></p>
<p>O QUE É PRETENDIDO COM O SISTEMA DE DEFESA ANTIMÍSSIL NA EUROPA?</p>
<p>O sistema previsto para a Europa consiste na instalação, em 2011, de um poderoso radar da banda X na República Checa e, na Polónia, em 2011-2013, uma base de intercepção com mísseis Patriot PAC-3 (Patriot Advanced Capability), especialmente desenhados para interceptar mísseis balísticos e as suas ogivas.</p>
<p>Ilustração do funcionamento do sistema de defesa antimíssil que os EUA pretendem instalar na Europa.</p>
<p>Ilustração do funcionamento do sistema de defesa antimíssil que os EUA pretendem instalar na Europa.</p>
<p>Imagem elaborada com base em: http://www.mda.mil/mdalink/pdf/euroassets.pdf.</p>
<p>QUAL O PENSAMENTO ESTRATÉGICO NORTE-AMERICANO QUE SUSTENTA ESTE PLANO?</p>
<p>Os EUA não escondem os seus interesses, não pretendem abdicar da presença militar pelo mundo fora, aumentar a influência na OTAN, contribuir para a estabilização do Cáucaso e reforçar acções que evitem a proliferação de Armas de Destruição Maçica (ADM). Continuarão a defender os seus interesses económicos e, consequente, a implementação de multinacionais pelo mundo fora. Em simultâneo, gostariam de ver concretizado o acesso livre aos recursos energéticos, optando pela criação, se necessário, de redes de gasodutos e oleodutos que evitem a passagem ou dependência da FR. Por fim e não menos relevante, continuarão a cruzada de expansão da cultura Ocidental ao mesmo tempo que tentarão travar o crescimento da cultura Islâmica no Mundo.</p>
<p>O actual pensamento estratégico norte-americano identificou explicitamente dois estados que representam uma ameaça para os EUA: O Irão e a Coreia do Norte. A preocupação reside no facto destes Estados estarem empenhados no desenvolvimento de armas nucleares. A actual doutrina estratégica norte-americana baseia-se numa lógica de dissuasão pela retaliação ou pela negação. As modalidades de acção desta doutrina podem aplicar-se contra os Estados, que têm existência geográfica, mas dificilmente se aplicam contra terroristas. O pensamento norte-americano baseia as modalidades de acção na ameaça que representa um míssil balístico. Desta forma, a trajectória do míssil intercontinental ICBM é a chave para compreensão da lógica de Washington. Qualquer míssil lançado por parte do Irão com destino ao continente norte-americano terá de sobrevoar a Europa Central, é por isso que os Estados Unidos têm acordos pendentes para criar uma base interceptora na Polónia e uma estação de radar na República Checa. Da mesma forma, qualquer míssil norte-coreano terá de sobrevoar o Alasca, local onde os norte-americanos têm uma grande plataforma de interceptores.</p>
<p>A actual estratégia norte-americana realça a necessidade de modificação do conceito de dissuasão, partindo da constatação que as ameaças actuais são muito mais diversas e imprevisíveis. Considera, também, que os estados hostis têm demonstrado a vontade de aceitar riscos elevados na prossecução dos seus objectivos, exercendo o seu esforço na aquisição e desenvolvimento de ADM e respectivos vectores de lançamento, como um dos seus principais meios para atingir os seus fins. Assim, os EUA declaram o direito de responderem de forma esmagadora, recorrendo a todas as opções disponíveis (incluindo o recurso às forças estratégicas nucleares), em resposta a um ataque com ADM contra solo norte-americano, contra as suas forças no exterior ou contra os países amigos e aliados (dissuasão pela retaliação), por outro lado, a componente defensiva tentará evitar os efeitos desse ataque (dissuasão pela negação).</p>
<p>É CREDÍVEL A JUSTIFICAÇÃO NORTE-AMARICANA DE QUE SE TRATA DE UM SISTEMA DE DEFESA CONTRA MÍSSEIS IRANIANOS?</p>
<p>O Irão acredita que uma bomba nuclear altera a balança de poder no Médio Oriente. Israel deixará de ser o único Estado da região a possuir a arma dissuasora por excelência. Os estrategistas iranianos esperam usar a ameaça da bomba para o Irão aumentar a sua influên-cia na região e reforçar o seu patrocínio à frente anti-israelita e anti‑ocidental nos Estados do Golfo Pérsico.</p>
<p>A actual capacidade iraniana, em termos de alcance máximo de vectores de lançamento, situa-se na ordem dos 2.000 Km com os mísseis Ashoura e os Shahab-3.</p>
<p>O Irão ainda não tem a arma nuclear, mas está a desenvolver várias iniciativas para a desenvolver e para a poder projectar a grande distância.</p>
<p>Com 2.000 Km de alcance pode-se atingir alvos em Israel, meios americanos no Golfo Pérsico e áreas da Europa SE e SW.</p>
<p>Fica a pergunta, será que Israel aceita um vizinho com esta capacidade? (Só se de todo não o puder evitar).</p>
<p>ENTÃO QUAIS SÃO OS OBJECTIVOS APARENTES E OS REAIS?</p>
<p>Oficialmente, o “escudo” antimíssil balístico visa defender os EUA e grande parte da Europa contra a ameaça de mísseis balísticos lançados do Médio Oriente. Os EUA beneficiariam com a muito maior protecção contra ataques originados no Médio Oriente, enquanto a Europa ganharia defesas que actualmente não tem. A OTAN centrou-se no desenvolvimento de defesas antimíssil de curta distância, pelo que a iniciativa dos EUA é complementar.</p>
<p>A única razão para o exagero dos EUA em relação à ameaça do Irão deve-se à intenção de validar o seu sistema de defesa antimíssil balístico. Os EUA insistem que o sistema pretende proteger os EUA e seus aliados do programa balístico do Irão, mas não parece haver nenhuma razão para o Irão tentar atacar os EUA, já que a resposta seria arrasadora para o Irão.</p>
<p>Os EUA têm várias razões estratégicas para instalar o radar banda X na República Checa e os interceptores na Polónia. A instalação do Sistema Antimíssil Balístico (BMD – Balistic Missile Defense) na Europa colocaria os EUA como protectores da Europa. Outra razão importante pode ser o seguimento de mísseis balísticos russos. Embora os EUA digam que a Rússia não é vista como um inimigo, temem um ataque acidental da Rússia. Isto ficou claro quando os norte‑americanos rejeitaram a proposta russa para instalarem os interceptores e o radar na antiga estação radar russa de Gabala (ou Qabala, Azerbeijão), a 250Km a noroeste de Baku. A proposta russa seria a ideal para efectuar o seguimento de mísseis balísticos lançados pelo Irão. A localização proposta pelos russos permitiria controlar o Irão, Turquia, China, Paquistão, Índia e Iraque. A rejeição norte-americana levou a Rússia a concluir que os EUA querem, na verdade, efectuar o seguimento de mísseis russos.</p>
<p>Os russos não acreditam que os norte-americanos considerem os iranianos capazes de construir mísseis balísticos intercontinentais (ICBMs), muito menos que consigam atingir o continente americano. Isto sugere naturalmente que o “escudo” está virado contra a FR e não contra o Irão. Já há quem defenda a ideia que os norte-americanos pretendem instalar nos silos da Polónia, não mísseis interceptores, mas sim mísseis de médio alcance, capazes de alcançar alvos na parte europeia da Rússia.</p>
<p>Além do mais, o Tratado de 1987, entre russos e norte-americanos, sobre Mísseis de Curto e Médio Alcance proíbe mísseis de alcance entre 500 e 5.500Km. Isto não preocupa muito os EUA porque não têm inimigos no seu hemisfério. A situação para a FR não é igual, muitos países no perímetro das fronteiras russas já têm, ou estão a desenvolver mísseis de curto e médio alcance. Neste conjunto incluem-se Israel, Irão, Arábia Saudita, Paquistão, Índia, China e Coreia do Norte.</p>
<p>Isto dá à Rússia uma grande tentação para renunciar ao Tratado de Mísseis de Curto e Médio Alcance. Os mísseis de médio alcance instalados nos Urais e na Sibéria podem atingir qualquer ponto da Europa e da Ásia e ultrapassar o sistema norte-americano de defesa antimíssil na Europa Oriental, bem como os arsenais de mísseis dos países asiáticos anteriormente citados, sem ser necessário usar um valioso e caro ICBM.</p>
<p>O Tratado CFE (Conventional Forces in Europe) foi assinado numa situação geopolítica totalmente diferente e é actualmente, em grande parte, irrelevante. Há várias razões para o desagrado de Moscovo face à situação actual e que já levou a que Moscovo suspendesse, em 12 de Dezembro de 2007, a implementação do tratado. Acima de tudo, devido à “zona cinzenta” (“nova vizinhança” para os russos) no Báltico, já que a Lituânia, Letónia e Estónia não são pares do CFE e teoricamente podem ter no seu solo forças armadas próprias ou estrangeiras de qualquer dimensão. Do lado da OTAN não há ratificações do Tratado adaptado em 1999. A FR retirou todas as suas tropas de Geórgia e tem uma força muito pequena na Moldávia apenas para vigiar os enormes depósitos de munições do ex-Exército Soviético.</p>
<p>As queixas da FR sobre o Tratado CFE são justificadas, mas em grande parte teóricas. Na realidade, nem a FR, nem qualquer dos países da OTAN esgotaram suas quotas para quaisquer das cinco classes de equipamento, seja sob o “CFE velho” de 1990 ou o “CFE adaptado” de 1999. Os exércitos dos países bálticos e da Eslovénia, que não assinaram o CFE, são puramente simbólicos em tamanho e não há nenhuns contingentes estrangeiros nos seus territórios (excepto os quatro aviões de caça num aeródromo lituano, que rodam de seis em seis meses. Até recentemente foram F16 portugueses). Em nenhuma das cinco classes de armas limitadas pelo Tratado CFE a OTAN tem uma superioridade inferior a três para um em relação à FR, ao passo que a superioridade económica da OTAN sobre Rússia (em termos de PIB absoluto) é 30 vezes superior.</p>
<p>Desta forma, não é do interesse da Rússia abandonar o tratado, porque daria uma possibilidade teórica à OTAN de aplicar a sua superioridade económica em superioridade militar. Será que os países europeus da OTAN estão interessados numa nova corrida armamentista? Além do mais, se tal corrida for reiniciada, a Rússia retirar-se-ia do Tratado de Mísseis de Curto e Médio Alcance para compensar o seu deficit em meios convencionais. O reinício da produção de mísseis Pioneer de médio alcance não será um problema para a Rússia porque são muito semelhantes aos ICBM Topol (Mísseis Balísticos Intercontinentais), excepto no número de andares propulsores que em vez de três, são apenas dois.</p>
<p>QUAL a reacção da federação russa?</p>
<p>A instalação de sistema de defesa anti-míssil na Polónia e na República Checa irrita os russos praticamente desde o dia em que foi anunciada. Por um lado, a escolha de dois antigos membros do Pacto de Varsóvia lembra à Rússia a sua perda de influência na Europa de Leste. São também uma demonstração clara de que os EUA encaram a Rússia actual mais numa perspectiva de ameaça do que de aliada.</p>
<p>Alcance dos actuais vectores de lançamento do Irão e demonstração da ineficácia do sistema de defesa contra mísseis ICBM da Federação Russa. Os EUA referem que a velocidade de um míssil interceptor é igual à de um míssil balístico (6,3Km/s), pelo que o interceptor não consegue anular a ameaça.</p>
<p>No passado, cada vez que Moscovo se viu ameaçada por um actor externo, como consideram ser este caso do escudo antimíssil, tomaram sempre contra‑medidas eficazes para garantir a sua segurança e integridade territorial.</p>
<p>Ainda recentemente na cimeira de Sochi, entre os Presidentes da Federação Russa e dos EUA, que ocorreu depois da cimeira da NATO de Bucareste, as posições da Rússia quanto ao alargamento da NATO e ao sistema de defesa antimíssil não se modificaram. Esta posição foi assumida pelo Ministro dos Negócios Estrangeiros da Rússia, Sergei Lavrov, em 9 de Abril em entrevista à rádio Ecos de Moscovo e ao diário Komsomolskaia Pravda. Por ele foi dito que “Nós faremos tudo o que pudermos para evitar a adesão da Ucrânia e da Georgia à NATO e para impedir um declínio dramático nas relações tanto com a aliança e seus membros líderes, como com os nossos vizinhos, o que seria inevitável em caso de adesão”. Disse também que “Não vejo que a NATO esteja pronta para entender as nossas preocupações. Vemos o desenfreado alargamento da NATO como um erro político grave. Não reforçará a segurança global”.</p>
<p>QUAL É O PENSAMENTO ESTRATÉGICO da federação russa?</p>
<p>A Federação Russa é um país imenso, com uma enorme riqueza, mas com um clima muito frio, com muita burocracia estatal, grande diversidade étnica e religiosa, muitos fluxos migratórios e população envelhecida. A governação de Putin conseguiu, apesar disso, reorientar o futuro da FR no sentido de um crescimento económico gradual, beneficiando, nomeadamente, do aumento do preço do petróleo.</p>
<p>O Presidente Putin iniciou um programa para repor o poder e a imagem que são devidas às Forças Armadas, que se encontram debilitadas desde a implosão da URSS.</p>
<p>Neste sentido, foi posto em marcha um programa de reforço de 4,1 triliões de rublos para o período de 2007 a 2015, destinado a modernizar as estruturas e os equipamentos militares, principalmente os que se relacionam com as Forças Nucleares Estratégicas.</p>
<p>Esta medida Presidencial, apoia‑se na ideia de relançar, simultaneamente, o crescimento do sector industrial.</p>
<p>Ao cumprir este programa, promove a “doutrina de defesa”, a segurança no interior da FR e reforça a sua estratégia de actor importante na consolidação da estabilidade mundial, respeitando, naturalmente, as regras e normas assumidas internacionalmente.</p>
<p>Quando a Rússia estava enfraquecida, pobre e ansiosa por se integrar no Ocidente não era um problema.</p>
<p>Exemplos de elementos do complexo sistema de defesa antimíssil balístico que os EUA estão a desenvolver.</p>
<p>Exemplos de elementos do complexo sistema de defesa antimíssil balístico que os EUA estão a desenvolver.</p>
<p>Mas a Rússia está de volta, rica e de “orgulho ferido”, procurando não juntar-se à Europa mas sim recuperar o estatuto de grande potência. A implosão da URSS, é o maior desastre geo-político do século XXI. Neste sentido, a FR procura recuperar a influência predominante junto dos Estados Bálticos e da Europa de Leste, bem com sobre a Ucrânia, Georgia e Moldávia e no resto do que a Rússia considera ser a sua tradicional esfera de influência. O problema é que parte desses antigos Estados são actualmente parte da Europa, sendo estes parte do que poderemos chamar de “nova vizinhança”.</p>
<p>QUAL PODER TEM ACTUALMENTE A federação russa?</p>
<p>De acordo com o Internacional Institute for Strategic Studies, em 2005-2006, as Forças Armadas tinham um efectivo de 1.037.000 militares, estando 395.000 no Exército, 142.000 na Marinha, 170.000 na Força Aérea e 250.000 na Logística (Comando e Apoio). As Strategic Deterrent Forces têm 129.000 militares, dos quais 11.000 estão na Marinha, 38.000 na Força Aérea, 40.000 nas Strategic Missile Force Troops e 40.000 nas Space Forces. Acresce a este número 415.000 Paramilitares. Quer homens quer mulheres ingressam no serviço militar com 18 anos de idade, cumprindo 2 anos de serviço, encontrando-se 20.000.000 na reserva obrigatória até aos 50 anos de idade.</p>
<p>A Marinha Russa tem 14 submarinos estratégicos de quatro tipos diferentes. Estes submarinos transportam 172 mísseis balísticos de lançamento do mar (SLBM) que podem transportar 606 ogivas nucleares. As Strategic Rocket Forces têm 452 sistemas de mísseis operacionais de quatro tipos diferentes, que podem transportar até 1677 ogivas. A aviação estratégica conta com 78 bombardeiros estratégicos que podem transportar até 872 mísseis de longo alcance.</p>
<p>Há um evidente esforço de renovação do poder militar russo, quer através de exercícios conjuntos de grande dimensão, que há muito não se realizavam, quer através da renovação do seu arsenal nuclear estratégico. Estas medidas são a reacção ao sentimento de “cerco” provocado pelo programa do “escudo” antimíssil.</p>
<p>QUAL A REACÇÂO DA EUROPA?</p>
<p>Para a Europa a condição de vulnerabilidade e insegurança é normal. Os europeus não estão habituados a ter muita discrição sobre as suas políticas de segurança, desenvolvem muito pouco debate estratégico, as comunidades de assuntos de segurança e defesa são pequenas e o poder militar não é uniforme nem relevante.</p>
<p>A Europa ainda não se deu conta que tem boas razões para estar preocupada. Durante a década de 1990 apostou demasiado na geoeconomia em detrimento da geopolítica. Reduziu drasticamente os orçamentos para a defesa, calculando que o hard power, num mundo dominado pela revolução da informação, fosse substituído pelo soft power. Em Bruxelas imaginava-se que o mundo se tornaria numa réplica da UE, e quando isso acontecesse, a União tornar‑se‑ia numa “superpotência pós‑moderna”. Durante a década de 1990 até foi assim, a Rússia estava prostrada e a Europa esteve livre para exercer uma enorme atracção, a que se juntava a promessa de segurança fornecida pelos EUA.</p>
<p>O imperialismo económico da Europa sobre a ex-URSS está actualmente bloqueado. A Europa está a braços com várias crises e com o alargamento à Turquia num impasse. Como se não bastasse, a Europa fomentou de novo o problema a Leste, renasceu a disputa de vários séculos entre a Rússia e os seus vizinhos próximos, assumindo a Rússia uma atitude nítida de potência imperalista do século XIX.</p>
<p>ESTAMOS PERANTE UMA CRISE INTERNACIONAL?</p>
<p>A crise internacional é um conceito de natureza dinâmica, materializada pela sequência de interacções, em que há o desenvolvimento da manifestação de posições e de respostas. Tais acções e reacções (que evidenciam o carácter dialéctico) dão-se entre vontades políticas fortes, nas quais uma parte atribui ao objecto de coacção um claro carácter de essencialidade e demonstra-o, seja pela declaração de intenções, seja pela resposta ou pelo desencadeamento do confronto.</p>
<p>O elemento conflitual está sempre presente em situações de crise, é ele que põe em evidência a pressão psicológica e a tensão que é exercida sobre os decisores. É necessário existir um conflito de interesses e ambas as partes terem a percepção desse mesmo conflito. Esta é uma condição “sine qua non” para que uma crise irrompa: a percepção de coacção de que uma parte está a ser alvo e a postura estratégica que mostre a sua resistência a essa coacção. Tudo se precipita quando uma das partes gera, age e produz uma situação considerada intolerável pela outra parte. Para o General Valença Pinto este facto “decorre do antagonismo existente” e corresponde a um “obstáculo à normal satisfação dos objectivos desse Estado”, porque é entendido como uma “ameaça à sua segurança ou aos seus interesses económicos fundamentais” ou pode ainda constituir-se como uma “afronta à dignidade e prestígio internacional”.</p>
<p>É este clima que recebe a designação de catalisador, ou, para ser mais preciso, de catalisador geral, a contradição que provoca o desafio, já que muitas vezes é possível identificar um catalisador específico, o acto individualizado que funciona como provocação, que corresponde à “última gota”, ou ao “pretexto próximo” do desafio. Constitui uma acção pontual que desperta a hostilidade e que se traduz na tentativa de um actor coagir outro pela ameaça implícita ou explícita da força. Este desafio marca o início da crise.</p>
<p>Caracterizando a situação actual, podemos dizer que existe um catalisador geral, que é a divergência de interesses muito significativos que decorre da intenção norte-americana de instalar um “escudo antimíssil” na Europa, junto à fronteira com a Federação Russa. Não podemos dizer que existe um catalisador específico, já que apenas tem havido uma dialéctica de linguagem e de acções sem ultrapassar os limites do aceitável pela outra parte. Estamos ainda longe da existência de um desafio (provocação) e também não existe a elevada probabilidade de guerra, para se caraterizar esta situação como uma crise internacional.</p>
<p>Também há que atender à evolução da conjuntura interna da FR, com um novo Presidente, e dos EUA onde se aproximam eleições presidenciais. Nestas circunstâncias é preciso saber se nos dois lados do Atlântico acreditam que se está a caminhar para uma nova Guerra Fria. As duas lideranças mantiveram em 2007 retóricas exacerbadas, embora cada vez mais contidas atendendo às eleições que se avizinhavam.</p>
<p>Apesar da previsível oposição da FR não é de antever a resistência, não‑aceitação ou oposição coerciva da FR em relação ao “escudo” antimíssil norte-americano. Não é assim espectável um choque entre o desafio e a resistência que gera a confrontação e que alguns autores consideram ser o “coração” ou “auge da crise”. Para se considerar uma crise bem gerida é preciso encontrar uma solução de contento para ambas as partes, sem que haja recurso à guerra.</p>
<p>Em resumo, pode-se dizer que o projecto norte-americano de instalação de um “escudo” antimíssil na Europa ainda não tem as características de uma Crise Internacional, mas há previsíveis acontecimentos que podem gerar o catalisador específico. Por certo, as desconfianças entre americanos e russos vão aumentar e vão-se radicalizar as palavras e as acções.</p>
<p>ANÁLISE ESTRATÉGICA GLOBAL</p>
<p>Uma análise estratégica oposta à iniciativa norte-americana defende a ideia que esta opção estratégica, que tem o apoio tímido da Europa, poderá vir a ser um erro estratégico profundo, já que a Rússia pertence à mesma matriz da civilização Ocidental, pela sua posição geográfica, pela abundância dos seus recursos naturais e pela extensão imensa das suas fronteiras.</p>
<p>Desenvolvimento de uma Crise Internacional, retirado de PINTO, Luís Valença (1987) &#8211; Notas sobre a teoria das crises; Pedrouços: IAEM, p.5.</p>
<p>Desenvolvimento de uma Crise Internacional, retirado de PINTO, Luís Valença (1987) &#8211; Notas sobre a teoria das crises; Pedrouços: IAEM, p.5.</p>
<p>A Rússia é a primeira barreira contra o expansionismo chinês, que não se deverá deter no Tibete e mais cedo ou mais tarde vai procurar expandir a sua influência à Ásia Central, encontrando aí, inevitavelmente a Rússia. Se tal vier a acontecer, o Ocidente (expressão lata que engloba as três Américas, a Europa, a Eurásia e uma parte significativa de África) deverá aliar‑se ao seu aliado natural que é a Índia (eterno rival da China, e logo, potencial parceiro do Ocidente) e apoiar a Rússia.</p>
<p>A postura norte-americana está a gerar força e poder entre defensores do movimento geopolítico “neo-eurosianismo” que defende que a única forma de contrariar a ingerência do Oeste no “estrangeiro próximo” russo é permitir o acesso russo a mares quentes. Este movimento liderado por Alexander G. Dugin, com a simpatia de Putin, associa num espaço geopolítico comum as potências continentais desde a Europa de Leste, Federação Russa, Cáucaso, Ásia Central, Índia e o Irão. Das iniciativas mais relevantes salientam-se o “Mercado Comum da Ásia Central” e a “Organização de Cooperação de Shangai”. Há para já um objectivo que é a promoção da “retirada das bases norte‑americanas” que se encontram na Ásia Central, aproximando, deste modo, não só a FR e a China mas também a China, a Índia e o Irão.</p>
<p>A Índia dá sinais de aproximação à FR, através de trocas comerciais e da encomenda de mais de 300 carros de combate, mas não deixa de se aproximar também dos EUA. Notícias recentes, da agência Reuters, de 27 de Fevereiro de 2008, dão conta do interesse da Índia e dos EUA unirem esforços no desenvolvimento do sistema de defesa antimíssil. Desta forma, a Índia não parece estar preocupada com a edificação de um bloco anti-americano mas sim na sua afirmação enquanto potência regional.</p>
<p>CONSIDERAÇÕES FINAIS</p>
<p>A eficácia do sistema de defesa antimíssil balístico é quase nula perante um ataque em larga escala, com mísseis com múltiplas ogivas e muitos engodos.</p>
<p>Os EUA estarão por certo a apostar no desenvolvimento tecnológico que o projecto pode fomentar. Lembra-se, a este propósito, que o GPS é um produto da “Guerra das Estrelas”. Esta iniciativa não está a gerar mais segurança, pelo contrário está a conduzir a uma corrida ao armamento. Se bem que entre os EUA e a Rússia não se perspective uma crise internacional, que conduza ao conflito, já o mesmo não se pode afirmar em relação a outras rivalidades, nomeadamente entre a Índia e o Paquistão, ou entre a Rússia e os seus vizinhos. Não é difícil imaginar que as fricções ao longo da fronteira euro-russa resultem em confrontação. Por exemplo, uma crise por causa da Ucrânia, que quer aderir à OTAN, poderá originar um conflito com a Rússia; conflitos entre o governo georgiano e as forças separatistas da Abkhazia ou da Ossétia do Sul podem lançar um conflito militar entre Tiblisi e Moscovo. A Rússia já ameaçou que reconheceria a independência destes separatistas caso vingasse a independência do Kosovo.</p>
<p>A Europa pós-moderna dificilmente pode voltar a confrontar-se com uma grande potência, como no passado, e tudo fará para o evitar. Quanto aos EUA, qualquer mudança fundamental na sua política externa (pouco provável) terá que esperar pelas directrizes da nova Administração. Todavia, um eventual confronto da Rússia com a Ucrânia ou a Georgia irá abrir um mundo novo, ou talvez nos traga um velho mundo, uma reedição da história da Europa do século XIX. Muitos europeus ainda querem acreditar que estamos numa lógica estratégica dominada pela geoeconomia. Na verdade, ainda vivemos numa era em que geopolítica, competição pela segurança, não foi purgada das Relações Internacionais.</p>
<p>Neste ambiente de Volatilidade, Incerteza, Complexidade e Ambiguidade (VICA) a balança de poderes está instável, o nosso mundo não é hoje mais seguro do que durante a Guerra Fria. Se adicionarmos à complexidade de relações as que vão ser geradas pelo fim do petróleo, podemos preconizar uma visão caótica de viragem civilizaciona.</p>
<p><strong>Armando J. Dias Correia </strong><br />
Junho de 2008<br />
<em>Revista da Armada</em></p>
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		<title>O Grande Projecto</title>
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		<pubDate>Mon, 20 Apr 2009 18:31:05 +0000</pubDate>
		<dc:creator>revistarevolucao</dc:creator>
				<category><![CDATA[Geopolítica Eurásica]]></category>
		<category><![CDATA[Teologia]]></category>

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		<description><![CDATA[A agressão do efémero Nós estamos de tal modo enterrados em “este minuto”, nas peripécias políticas e económicas, nos problemas psicológicos, e tão apaixonadamente atendemos ao hipnótico conjunto da vida quotidiana, que constantemente perdemos de vista o principal. O principal, o grande, aquilo que dá sentido à vida, o que define o motivo mais alto [...]<img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=projectoeurasia.wordpress.com&amp;blog=7432799&amp;post=50&amp;subd=projectoeurasia&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><img class="alignleft size-thumbnail wp-image-46" title="aleksandrdugin" src="http://projectoeurasia.files.wordpress.com/2009/04/aleksandrdugin.jpg?w=100&#038;h=150" alt="aleksandrdugin" width="100" height="150" />A agressão do efémero</p>
<p>Nós estamos de tal modo enterrados em “este minuto”, nas peripécias políticas e económicas, nos problemas psicológicos, e tão apaixonadamente atendemos ao hipnótico conjunto da vida quotidiana, que constantemente perdemos de vista o principal. O principal, o grande, aquilo que dá sentido à vida, o que define o motivo mais alto &#8211; é para nós, volta e meia, apenas treta, estribilho, um esquema verbal e emocional. Ou simplesmente uma cobertura, um adorno exterior daquilo que com senso prático afirmamos como básico e real e que sentimos ser concreto. Assim constituída, a nossa existência gravitacional achata-nos contra a terra. Esses excêntricos, que, seriamente, rompendo com os condicionalismos e convenções sociais, se lançam para o diferente, são aceites por nós apenas quando sábios académicos paramentados com  específico uniforme, quando  artistas com barretes de veludo, ou popes triunfalmente  imponentes.<span id="more-50"></span> Contra esta materialização da humanidade as almas fogosas sempre se queixaram, censurando, acordando, denunciando, envergonhando. Mas dificilmente na antiguidade houve algum tempo, em que a hipnose da rotina actuasse tão total e impudentemente, expressando-se pelos poderosos mecanismos mediáticos que paginam a realidade efémera, &#8212; destacada como a única realidade pelo seu próprio arbítrio. Quanto mais ilusória é a Sociedade dos Espectáculos, tanto mais real se apresenta o momento do presente ao qual aplica a força gigantesca da sua sugestão. O que foi ontem, como foi ontem, há uma hora atrás, parece profunda antiguidade.</p>
<p>Os liberais contra o Projecto</p>
<p>A Humanidade vive apenas porque nela existe um Projecto. O Grande Projecto. Nomeadamente, os bons sucessos e os falhanços no caminho da sua realização constituem a essência do processo histórico. A História humana é a história da realização do Grande Projecto. Sem dúvida que não é simples. Frequentemente paga-se com milhões de vidas, sangue, torturas, dores excruciantes, ferro ao rubro, desmedido sofrimento, pela escolha do caminho. E ele apresenta-se errado, falso. Mas de novo se lambe a persistente ferida humana, os ventos dispersam os fumos das queimadas, os raios do sol expulsam os fantasmas da guerra, e nós lançamo-nos a novo Projecto, sabendo na alma, que haveremos de pagar pela medida grande tudo aquilo que resultar e que não sair como tínhamos imaginado, mas se desistirmos dum alto objectivo, desistimos de ser gente  com sua específica dignidade, com a nossa postura vertical, com a nossa visão severa e inteligente – para a frente e para cima.</p>
<p>Todos têm um projecto. Tanto pequeno como grande. Mas existe um sector da humanidade – resmungão, cobarde, egoistamente fechado na sua concha – que quer aniquilar o Projecto, acabar com a História, abolir os heróis, estabelecer na terra o reino dos “últimos homens”. “Que é a verdade?” – perguntam os últimos homens e piscam os olhos [“Assim falou Zaratustra”/F. Nietzsche]. Abertamente,  a respeito do “Fim da História” e do “Último Homem”, ensinam os ideólogos da nova ordem mundial – Karl Popper, Daniel Bell, Francis Fukiama, Jacques Attali, Milton Friedman, George Soros. Para eles a “era do Projecto” acabou. Eles ensinaram que a humanidade paga um “imposto à História” demasiado grande. Eles declararam que com o fim do estado soviético, a civilização ultrapassara o último baluarte do Grande Projecto, o qual caíra sob a pressão da massa apodrecida da banalidade generalizada.</p>
<p>O tratante[1] não conhece o Projecto. Ele esforça-se por escapar ao imposto sobre a realidade, à taxa pela vida não alienada, e pelo alto feito, por vezes completamente  insensato. O tratante odeia o Herói.  E quando o Herói  sofre uma catástrofe imediata, &#8212; tão doce para ele, tão inscrita no seu destino luminoso-trágico solar-dionisíaco, quando o rasgam os cães, titãs ou     bacantes, o Tratante      esfrega as mãos, e, tendo esperado, toma alento: “O Grande Projecto desta vez está posto de lado”.</p>
<p>A abominação do liberalismo hoje saltou para mais. “O Grande Projecto caiu para sempre”, &#8212; proclamam os últimos homens, avançando para nova espira das reformas do mercado.</p>
<p>“A sociedade não deve ter mais nem objectivos, nem orientações, nem supertarefas , nem regulações. Tudo isto apenas causa coacção. Laissez-faire. Deixai as pessoas em paz, não impeçais que elas façam o que querem, não as seduzais a quaisquer aventuras históricas, não lhe ofereçais mitos e missões sagradas. Que elas sejam o que elas são: gente miúda com problemas miúdos. Elas precisam apenas de mercados. Foi-nos muito caro contornar o entusiasmo galvanizante das experiências precedentes”. Assim, mastigando, dança ao ar do liberalismo a fisionomia de boca retorcida do neto reencarnado de um grande escritor soviético, cantor da ética ascética e do elevado, duro, brilhante e jovem heroísmo. Tudo como na teoria de Vilfredo Pareto: “Os avós são heróis revolucionários; os pais — conservadores moderados; os netos – monstros e degenerados”.</p>
<p>À palavra “Projecto”, a mão do liberal por si mesma marca o número da mais próxima esquadra da polícia. Deles, os mais  honestos, desconfiando que, matando o Projecto, eles matam o próprio homem, notam que este aspecto se liquida como tal. E, em reservados saguões de reparação europeia, engenheiros geniais da “nova ordem mundial” produzem clones com código comportamental corrigido : o homem – sem história, sem ideal, sem agressividade, sem heroísmo, sem o Grande Projecto. O homem ideal do globalização vencedora. Celibatário, cosmopolita eternamente adolescente. Boneco vivente com dentes ideais, exalando Pepsodent. Perfeição artificial do natural. A História a partir de agora será feita nas telemontagens, e as pessoas – nos tubos de ensaio.</p>
<p>O inimigo da meia noite</p>
<p>Nós, os “nossos”, nunca os venceremos, se não nos consciencializarmos da escala da luta. Nós estamos a viver o momento mais dramático da história, onde nas cartas está em jogo o Homem. E este dramatismo só é mais grave e tenso devido a que exteriormente parece que nada há mais banal, mais insensato e mais medíocre   do que o nosso tempo sórdido e estúpido. Quando a noite atinge a linha crítica, o ponto da Meia Noite absoluta, a lembrança da luz do sol varre-se de tal modo que parece que ela nunca existiu e que até a dor de ontem com as últimas luzes se apaga na curta memória dos homens. Quando apenas há a escuridão e nada com que compará-la, ela deixa de ser escuridão e está livre de se apresentar como se quiser. “Que é a luz?” – perguntam os últimos homens. E piscam os olhos.</p>
<p>Sobre os personagens bastante ocasionais, que se apoderaram do poder do mais belo e comovedor povo do mundo, sobre o país mais inquiridor, enorme e  magnífico, paira a sombra do muito profundo processo mundial. Aquilo por que os pelados e débeis receiam o restolhar dos ratos e por pouco olham de esguelha, e se atrapalham nos fios eléctricos e tropeçam nas escadas do funcionalismo do estado, não nos deve levar à tentação do menosprezo do seu poder. Eles são mesquinhos e dignos de piedade precisamente porque pertencem ao exército dos guerreiros que lutam contra tudo que seja elevado e grande, ideal e heróico. São lansquenetes do avanço liberal contra o Grande Projecto. Aquele que está por eles, que se decidiu a pôr fim à história, é a figura mais sinistra e perigosa.</p>
<p>Há dois pólos, apenas dois pólos, dois campos. Eles e nós. Eles são contra o Projecto como tal. Nós somos pelo Projecto, qualquer que seja, contanto que grande (e formidável).</p>
<p>Dantes tudo era diferente. Havia muitos projectos. Os seus paladinos impiedosamente lutavam entre si, seguiam os seus próprios caminhos, e tenazmente conseguiam o seu intento. Mas isto era quando ainda havia história. Agora tudo é diferente. E colocaram todos os insubmissos num só gueto comum. É um gigantesco pedaço do planeta, que não se inscreve nas normativas repulsivamente eleitorais do “Norte rico”, isto é, os detritos das velhas culturas, ideologias e nacionalidades, que não entraram no “bilião dourado”. Nós não tivemos passaporte para o “brave new world”. Algum de nós, na verdade, o queimou conscientemente&#8230;</p>
<p>O último feito russo</p>
<p>Apesar de tudo, tendo cuspido em todas as normas e decências, em todas as cerimónias do consenso e fórmulas diplomáticas da correcção política, somos obrigados a declarar a nossa fidelidade ao Grande Projecto. Mais do que isso, devemos cultivar, alimentar, mimar, criar o nosso Projecto, mesmo que nada resulte. Estou perfeitamente convencido: os inimigos esforçam-se especialmente para nos atrair ao momento concreto, hipnotizar-nos com “este minuto”, paralisar as altas energias criadoras com a magia do pesado momento. Depois, quando a horda deles se dispersar como fumo, e a sua certeza e persistência se desfizerem em cinzas, nós ficaremos nos arredores dos abismos abertos pós-reformistas, e estas hordas uivantes, perguntar-nos-ão: “Então? E onde estão as vossas ideias, ideais, objectivos? Perderam-se na luta connosco? E nós somos apenas fantasmas da meia noite, kishshuf. E nada mais”. Como no notável filme dos anos 30 “Dibbuk”[2], começam a andar de um lado para o outro os semi-transparentes e semi-corpóreos fantasmas pelo tortuoso cemitério. E teremos um aspecto estúpido e desnorteado. Vencedores da futilidade, submetidos aos subterfúgios dos refinados hipnotizadores de “este minuto”. Tácticas brilhantes das manobras posicionais lutando com sombras.</p>
<p>O Grande Projecto deve nascer aqui e agora. Apesar da conjuntura política. Varrendo os imperativos efémeros da luta. Com calma e grandiosamente nós, os russos, devemos de novo tomar consciência da história, dos mundos do espírito, do desígnio secreto da história religiosa, da lógica magnética do espaço qualitativo, a sagrada geografia do mundo.</p>
<p>Devemos acordar depois do choque. Sim, a precedente forma do Grande Projecto ruiu. Mas é preciso reconstruir tudo de novo, repensar tudo, reclamar outra vez. É preciso fazer entrar em ebulição o tenaz trabalho nacional – nos gabinetes de construção, onde a luz se acende à noite e os engenheiros russos silenciosamente se aproximam das folhas de papel Whatman e dos computadores, para desenhar os aparelhos para a futura Grande Rússia; nas bibliotecas e mosteiros, onde  para mal da caixa diabólica é preciso ter sob os olhares de jovens ardentes os antigos manuscritos russos,  vetustos livros proféticos e cerimoniais, a crónica da nossa Pátria, do nosso povo; nas praças, nos bosques, nas clareiras, e nos ginásios, onde os atletas russos trabalham as trajectórias de novos golpes, as técnicas de receber e atacar – observando perante olhares furiosos os traços pintalgados do inimigo; em salões forrados a madeira de carvalho de boa qualidade, os tratantes russos começarão a planear subtis operações para a guerra económica  com a ralé, bebendo o sangue da nossa Rússia. Tudo isto deve ser o caminho para o Grande Projecto. E de novo, como antes, “ninguém nos dará a salvação”. Tudo depende somente de nós.</p>
<p>Nele, no próximo Grande Projecto, logo desde o princípio será possível discriminar as linhas básicas: liberalismo, Ocidente, capitalismo, nova ordem mundial, globalização, materialismo pequeno burguês, individualismo, são o mal. São os inimigos do Grande Projecto.</p>
<p>Justiça, Oriente, socialismo, o florescente complexo dos povos e culturas da Eurásia, alto idealismo, comunidade e solidariedade, são o bem. O eixo do nosso Grande Projecto.</p>
<p>E, partindo do nervo básico, não prestando atenção às figuras políticas concretas, ao governo, ao poder e à oposição, aos partidos e uniões, nós, russos, todos juntos – acima dos partidos e das facções &#8212; devemos formular o Grande Projecto, contribuindo para ele com um óbolo, uma linha, com uma peça, com um copeque, com um metro de área, com um ponto de comércio, com um ícone, com um punho, uma roda de máquina, uma corda, uma habilidade, uma beleza, uma faca bem afiada.</p>
<p>Agora não pode ser apenas projecto. É preciso ir mesmo ao Grande Projecto.  Não há lugar para a concorrência ou para a escolha entre algumas variantes. Nós devemos unirmo-nos no nosso Projecto, no Projecto comum, todos e toda. A Rússia antes do fim do mundo tomará para si toda a carga da história humana, da qual se retiraram outros povos.</p>
<p>Chega a nossa hora. É criminoso passá-la a dormir.</p>
<p><strong>Aleksandr Dugin</strong><br />
<em>A Coisa Russa</em></p>
<p><strong>Tradução:</strong> Joaquim Reis</p>
<p>Nota do tradutor: Mutatis mutandis, as ideias expostas neste pequeno ensaio aplicam-se também a Portugal. Falta-nos o Grande Projecto. Dominam-nos os tratantes, os homens da meia-noite. Temos de acordar, porque é criminoso dormir. Não sejamos dominados pela kishshuf, nem pelos dibbuk. [2]</p>
<p>[2] Kishshuf (magia, feitiçaria) e dibbuk  (demónio que se apodera de uma pessoa e a controla) são palavras hebraicas. Ver Internet (N. do T.)</p>
<p>[1] &#8216;Torgóvetz’ quer dizer ‘mercador’ em russo. Traduzi-a pelo seu homónimo no português medieval (N. do T.)</p>
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		<title>O Eurasianismo: a “nova” Geopolítica russa</title>
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		<pubDate>Mon, 20 Apr 2009 18:25:28 +0000</pubDate>
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				<category><![CDATA[Geopolítica Eurásica]]></category>

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		<description><![CDATA[“Em grandes linhas, existem actualmente duas aproximações quanto às opções geopolíticas da Rússia: os internacionalistas liberais ou “ocidentalizadores” (zapadniki) e os eurasianistas. Os primeiros (Gorbatchev, Kozyrev, Yeltsin, Trenin, etc.) crêem que os valores ocidentais do pluralismo e da democracia são universais e aplicáveis à Rússia. Os segundos (Dugin, Zhirinovsky, Zyuganov, Solzhenitsyn, etc.) têm linhas ideológicas [...]<img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=projectoeurasia.wordpress.com&amp;blog=7432799&amp;post=48&amp;subd=projectoeurasia&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><img class="alignleft size-thumbnail wp-image-43" title="silvestre_dos_santos" src="http://projectoeurasia.files.wordpress.com/2009/04/silvestre_dos_santos.jpg?w=111&#038;h=150" alt="silvestre_dos_santos" width="111" height="150" />“Em grandes linhas, existem actualmente duas aproximações quanto às opções geopolíticas da Rússia: os internacionalistas liberais ou “ocidentalizadores” (zapadniki) e os eurasianistas. Os primeiros (Gorbatchev, Kozyrev, Yeltsin, Trenin, etc.) crêem que os valores ocidentais do pluralismo e da democracia são universais e aplicáveis à Rússia. Os segundos (Dugin, Zhirinovsky, Zyuganov, Solzhenitsyn, etc.) têm linhas ideológicas nacionalistas e patrióticas que acreditam que, devido às particularidades geográficas, históricas, culturais e mesmo psicológicas, a Rússia não pode ser classificada como Ocidental ou Oriental, sendo um Estado forte e dominante na Eurásia. O Eurasianismo conseguiu reconciliar filosofias muitas vezes contraditórias como o comunismo, a religião ortodoxa e o fundamentalismo nacionalista.<span id="more-48"></span></p>
<p>Desde que Vladimir Putin assumiu a presidência da Rússia, em Dezembro de 1999, a política externa de Moscovo alterou o seu rumo. A sua nova aproximação baseia-se no Eurasianismo, uma obscura e velha moldura ideológica que emergiu agora como uma força maioritária na política russa.</p>
<p>Na história do mundo, existem, em competição constante, duas aproximações às noções de espaço e terreno – a terrestre e a marítima. Na História antiga, as potências marítimas que se tornaram em símbolos da “civilização marítima” foram a Fenícia e Cartago. O império terrestre que se lhes opunha era Roma. As Guerras Púnicas foram a imagem mais clara da oposição “terra-mar”. Mais modernamente, a Grã-Bretanha tornou-se o “pólo” marítimo, sendo posteriormente substituído pelos EUA. Tal como a Fenícia, a Grã-Bretanha utilizou o comércio marítimo e a colonização das regiões costeiras como o seu instrumento básico de domínio. Criaram um padrão especial de civilização, mercantil e capitalista, baseada acima de tudo nos interesses materiais e nos princípios do liberalismo económico. Portanto, apesar de todas as variações históricas possíveis, pode dizer-se que a generalidade das civilizações marítimas tem estado sempre ligada ao primado da economia sobre a política.</p>
<p>Por seu lado, Roma representava uma amostra de uma estrutura de tempo de guerra, autoritária, baseada no controlo civil e administrativo, no primado da política sobre a economia. É um exemplo de um tipo de colonização puramente continental, com a sua penetração profunda no continente e assimilação dos povos conquistados, automaticamente romanizados após a conquista. Para os eurasianistas, na História moderna, os seus sucessores são os Impérios Russo, Austro-Húngaro e a Alemanha imperial. Contra o “Atlantismo”, personificando o primado do individualismo, liberalismo económico e democracia protestante, ergue-se o “Eurasianismo”, personificando princípios de autoritarismo, hierarquia e o estabelecimento de um comunitarismo, sobrepondo-se às preocupações de índole individualista e económica.</p>
<p>Pode-se recuar na geopolítica russa até ao movimento eslavófilo do século XIX. Nesta época, o Eurasianismo tentou sobrepor-se às diferenças entre as tendências reformistas pró-ocidentais e os czaristas eslavófilos. O papel ímpar da Rússia era juntar a rica diversidade da Eurásia numa “terceira via”, consistente com a cultura e as tradições da Ortodoxia e da Rússia. Estas ideias acerca da geopolítica da Eurásia e do destino do Império Russo, foram retomadas no período a seguir à 1.ª Guerra Mundial pelo etnólogo e filólogo Nikolai S. Trubetskoy, nobre russo branco, pelo historiador Peter Savitsky, pelo teólogo ortodoxo G.V. Florovsky e, posteriormente, pelo geógrafo, historiador e filósofo Lev Gumilev, defendendo a luta cultural e política entre o Ocidente e o distinto sub-continente da Eurásia, liderado pela Rússia. Gumilev foi o criador da “teoria da etnogénese”, pela qual as nações são originárias da regularidade do desenvolvimento da sociedade, e da “teoria da paixão”, a capacidade humana para se sacrificar em prol de objectivos ideológicos. Esteve 16 anos presos no tempo de Estaline, combateu na 2.ª Guerra Mundial, esteve num campo de concentração nazi e voltou a cumprir uma sentença de 10 anos no Gulag, por actividades contra a ideologia marxista-leninista.</p>
<p>Aqueles teóricos da geopolítica eurasiana analisaram com profundidade e atenção os impérios de Gengis Khan, Mongol e Otomano, tendo-se encontrado várias vezes em Praga com Karl Haushofer. Baseado nas ideias de MacKinder, o Eurasianismo procura estabelecer a identidade ímpar da Rússia, distinta da Ocidental e foca a sua atenção para Sul e Leste, sonhando numa fusão entre as populações ortodoxas e muçulmanas. Rejeita categoricamente o projecto do Czar Pedro para “europeizar” a Rússia, mas os termos em que o país era idealizado eram os de um império europeu, pela simples circunstância que consistia em territórios, a maioria dos quais se localizavam na Ásia, em que um grupo nacional dominava outras nacionalidades subordinadas. Defendia que a Rússia era claramente não europeia porque a vasta região ocupada, apesar de situada entre os dois continentes – Europa e Ásia &#8211; , era geográfica e, logo, objectivamente separada de ambos. Era um continente em si mesmo, denominado Eurásia; além disso, a cultura russa tinha sido maioritariamente moldada por influências vindas da Ásia.</p>
<p>Durante a 1.ª Guerra Mundial, surgiram os primeiros dilemas e ambiguidades, quando a Rússia se aliou à Grã-Bretanha, à França e aos EUA, com o intuito de libertar os seus “irmãos eslavos” do domínio turco, começando a lutar contra os seus aliados geopolíticos naturais – Alemanha e Áustria –, mas também mergulhando numa revolução e guerra civil catastróficas. A revolução de 1917 terminou com a existência formal do Império Russo, e Trubetskoy tentou adaptar o seu pensamento ao novo estado de coisas. Os russos, antes considerados como os “donos e proprietários” de todo o território, passaram a ser “um povo entre outros” que partilhavam a autoridade. O conceito de separatismo não era aceitável para Trubetskoy, que insistia na indivisibilidade da grande região que correspondia à Eurásia, uma ideia de globalidade geográfica, económica e étnica integral, distinta quer da Europa, quer da Ásia. Segundo Savitsky, a Eurásia tinha sido modelada pela Natureza, que tinha condicionado e determinado os movimentos históricos e a interpenetração dos seus povos, cujo resultado tinha sido a criação de um único Estado. Devido à unidade da região derivar da Natureza, possuía a qualidade transcendente dessa mesma Natureza. Trubetskoy afirmava que “o substrato nacional do antigo Império Russo e actual URSS, só pode ser a totalidade dos povos que habitam este Estado, tido como uma nação multiétnica peculiar e que, como tal, possuía o seu próprio nacionalismo.</p>
<p>Chamamos a essa nação Eurasiana, o seu território Eurásia e o seu nacionalismo “Eurasianismo.” Para Dugin, o principal ideólogo eurasianista da actualidade, a liderança de Lenine tinha um substrato eurasiano pois, contrariamente à doutrina marxista, preservou a grande unidade do espaço eurasiano do Império Russo. Por seu lado, Trotsky insistia na exportação da revolução, na sua mundialização, e considerava a URSS como algo efémero e transitório, algo que desapareceria perante a vitória planetária do comunismo; as suas ideias traziam, por isso, a marca do atlantismo! Para o mesmo autor, “a grande catástrofe eurasiana foi a agressão de Hitler contra a URSS. Após a guerra fratricida e terrível entre dois países geopolítica, espiritual e metafisicamente chegados, a vitória da URSS foi de facto equivalente a uma derrota.</p>
<p>Apesar da “guerra fria” ser primária e fundamentalmente sobre ideologias e não sobre geopolítica – alguns autores chamam-lhe “geopolítica ideológica” –, a Geopolítica desenvolvida pelos pensadores europeus do final do século XIX foi uma matéria importante para Estaline. Imediatamente após a derrota alemã, começou a imaginar um novo projecto geopolítico, o Pacto de Varsóvia, para integrar os países da Europa de Leste na esfera soviética.</p>
<p>Desde o final da 2.ª Guerra Mundial, uma figura chave na geopolítica soviética foi o General Sergey M. Shtemenko, chegando a ser, durante os anos 60&#8243;s, comandante das forças armadas do Pacto de Varsóvia e Chefe do Estado-Maior General da URSS. Nos seus planos estratégicos, bem como nos do General Gorshkov, estava, desde 1948, a penetração económico-cultural no Afeganistão, afirmando que aquele país tinha um papel geopolítico especial, permitindo o acesso soviético ao Índico. Khrutschev tinha conceitos geoestratégicos exclusivamente baseados no emprego de mísseis intercontinentais, em detrimento das outras armas. Estava preocupado com a América Latina e insistia no conceito de “guerra nuclear intercontinental relâmpago”. Ao contrário, Shtemenko já anteriormente tinha alertado que não seria sensato basear a segurança da URSS apenas em mísseis balísticos intercontinentais. Um dos herdeiros das ideias geopolíticas e geoestratégicas de Shtemenko foi o Marechal N. V. Ogarkov. Foi ele o responsável pela montagem da operação contra a Checoslováquia, em que os serviços de informações da OTAN foram confundidos com uma contra-informação excelentemente conduzida, e também pela adopção de uma opção doutrinária de guerra convencional na Europa, como objectivo de planeamento e desenvolvimento militar.</p>
<p>Grande parte deste novo alento do Eurasianismo deve-se ao seu principal ideólogo, Alexander Dugin. Apesar do seu passado obscuro (antigo membro duma organização radical anti-semita e, posteriormente, da Revolução Conservadora racista, Dugin é hoje considerado o principal geopolítico russo e conselheiro de assuntos internacionais de várias figuras proeminentes da Duma, nomeadamente o seu “speaker”, Gennady Seleznev. As suas ideias têm influenciado o líder do Partido Comunista, Gennady Zyuganov, e outros altos dignitários. O Partido Eurasiano foi fundado por Dugin em Maio de 2002, supostamente com apoio organizacional e financeiro do Presidente Putin.</p>
<p>O Eurasianismo ganhou rapidamente importância nos meios da política externa russa e, mais significativo ainda, é cada vez mais evidente na conduta daquela política pelo Presidente Putin. Dugin adaptou as teorias tradicionais de Mahan e MacKinder e defende uma luta pelo domínio internacional entre as potências terrestres – personificadas na Rússia – e as potências marítimas – principalmente os EUA e o Reino Unido. Como resultado, Dugin crê que os interesses estratégicos da Rússia devem ser orientados de um modo anti-ocidental e para a criação de espaço Eurasiático de domínio russo. Por outras palavras, a Rússia não poderá subsistir fora da sua essência imperial, em virtude da sua localização geográfica e do seu caminho histórico.</p>
<p>“O novo império eurasiano será construído no princípio fundamental do inimigo comum: a rejeição do ‘Atlantismo&#8221;, controlo estratégico dos EUA e na recusa em aceitar valores liberais para nos dominar. Este impulso civilizacional comum será a base de uma união política e estratégica”. Dada a presente situação internacional pouco influente da Rússia, Dugin reforça a necessidade de construir alianças que sirvam para aumentar o domínio político e económico. Assim, põe ênfase num eixo Moscovo-Teerão e na criação de uma zona de influência iraniana no Médio Oriente. Na Europa, advoga um eixo Moscovo-Berlim, que vê como essencial para a criação de um “cordão sanitário” contra a influência ocidental no antigo bloco soviético.</p>
<p>Nos seus esforços para manter os EUA longe da região do Cáspio, o Irão encontrou um aliado inesperado na Rússia. Ambos puseram temporariamente as suas divergências de lado, para fazer frente às actividades americanas na área. A aliança russo-iraniana pode aliás considerar-se um dos mais importantes factos geopolíticos do pós-guerra fria. Para a Rússia, uma relação estrita com o Irão pode considerar-se como uma reacção à expansão da NATO para a Europa Oriental. O fornecimento de material militar convencional e de tecnologia nuclear russa ao Irão é um dos aspectos fulcrais desta aliança, já que muitos poucos países estão interessados em fornecer armas ao regime dos “ayatollahs”. O Irão confia na Rússia como fornecedor de armamento, dado não existirem muitos países que o queiram fazer; a Rússia também vê vantagens e lucros no fornecimento de armamento, nuclear inclusive, ao Irão.</p>
<p>A doutrina consensual da “vizinhança próxima” define que a Rússia quer manter um papel político, económico e estratégico preponderante nas ex-repúblicas da URSS, legitimando uma intervenção militar, se necessário. Contudo, a incapacidade da Rússia implementar as necessárias reformas nas suas Forças Armadas e na sua economia, em conjunto com a hostilidade com que a sua presença é vista, limita as suas possibilidades de cooperação e faz diminuir a sua influência, em especial no Cáucaso, em detrimento dos EUA. A Rússia vê assim a sua posição na região ameaçada pela expansão militar americana e da NATO, bem como pelos seus próprios problemas internos (a guerra na Tchechénia fez com que as relações com a Geórgia, a quem acusa abertamente de abrigar terroristas tchetchenos, se deteriorasse muito). Para contrabalançar esta situação, propôs uma cooperação triangular com a China e com a Índia e através da Organização de Cooperação de Xangai (com Cazaquistão, Quirguizistão e Tadjiquistão).</p>
<p>As maiores preocupações da Rússia dizem respeito ao controlo das rotas de exportação dos recursos energéticos. O maior objectivo de Moscovo é assegurar que uma parte significativa dos recursos energéticos do Cáspio seja transportada pelo sistema russo de oleodutos para o Mar Negro e, daí, para a Europa. Porém, o sistema existente de oleodutos e gasodutos da era soviética é considerado como obsoleto, feitos com materiais de qualidade duvidosa e com manutenção de má qualidade técnica, que se estão a deteriorar com o tempo. As novas repúblicas procuram por isso outras opções para se distanciar e não depender da Rússia, e serem capazes de alcançar mercados diversificados. Para tentar manter a sua influência nas exportações dos produtos energéticos, a Rússia apoia apenas oleodutos que passem através do seu território. Todavia, as tentativas russas para retardar os projectos de desenvolvimento liderados por outras potências, levaram ao estudo de rotas alternativas para levar os recursos até aos mercados, prejudicando a posição da Rússia como potência dominante na região e fazendo-a perder o controlo sobre os recursos energéticos da região e do seu transporte.</p>
<p>Para a Rússia, os alvos geopolíticos primários para a subordinação política parecem ser o Cazaquistão e o Azerbaijão. A subordinação deste último ajudaria a “selar” a Ásia Central do Ocidente, especialmente da Turquia. O Azerbaijão, encorajado pela Turquia e pelos EUA, rejeitou os pedidos russos para a manutenção de bases militares no seu território e desafiou também as exigências daquele país para um único oleoduto com terminal no porto russo de Novorossiysk, no Mar Negro. A vulnerabilidade étnica do Cazaquistão (cerca de 40% da população é russa) torna quase impossível uma confrontação aberta com Moscovo, que pode também explorar o receio do Cazaquistão sobre o crescente dinamismo da China. Para tentar diminuir as iniciativas unilaterais de desenvolvimento das novas repúblicas, nomeadamente as duas referidas atrás, tem utilizado também a incerteza quanto ao regime legal do Mar Cáspio.</p>
<p>Ao bloquear ou atrasar novos projectos de oleodutos, a Rússia conseguiu vencer praticamente todos os negócios energéticos, com investimentos pequenos. Porém, o actual sistema de oleodutos não possui a capacidade para o aumento de produção que se prevê para o Cazaquistão e para o Azerbaijão e, se tiverem de construir mais, a Rússia gostaria que passassem por território seu. No Cáucaso, todos os conflitos têm também a ver, pelo menos parcialmente, com o petróleo. A Rússia continua a ver o Azerbaijão como parte do seu império e considera a Geórgia como a chave do Cáucaso meridional. Contudo, a maior ameaça à estabilidade e aos interesses petrolíferos ocidentais no Cáucaso, deriva da guerra na Tchetchénia.</p>
<p>A Tchetchénia era uma região autónoma gozando já de uma larga autonomia, quando declarou unilateralmente a sua independência em 1994. A Rússia decidiu resolver o assunto pela força por duas razões principais: em primeiro lugar porque, se a Tchetchénia fosse autorizada a sair da Federação Russa, seria um perigoso antecedente que outras repúblicas predominantemente islâmicas do Norte do Cáucaso (Tcherkessia, Dagestão, Kabardin-Balkar, etc.) poderiam querer seguir; em segundo lugar, a Tchetchénia é um eixo fundamental da rede de oleodutos vindos do Cáspio. Se a materialização dos planos do oleoduto para Oeste falhar, todo o petróleo do Azerbaijão irá continuar a ser transportado pelo único oleoduto existente para o mar Negro, e esse atravessa a Tchetchénia. Se a Rússia quiser lucrar com o aumento de produção no Azerbaijão, tem de manter o controlo da república a todo o custo. Grozny, capital da Tchetchénia, é o centro de uma importante rede de oleodutos que liga a Sibéria, o Cazaquistão, o Cáspio e Novorossiysk.</p>
<p>Para finalizar, o que torna Dugin notório e preocupante é que o seu pensamento faz lembrar, em certos aspectos, Hitler: fala sobre capitalismo, baseado numa combinação de nacionalismo e socialismo. As suas teorias foram banidas durante a época soviética pelas suas ligações ao Nazismo, mas são hoje aceites sem relutância pelo Partido Comunista.</p>
<p>Mesmo assim, o Eurasianismo ganhou rapidamente importância nos meios da política externa russa e, mais significativo ainda, é cada vez mais evidente na conduta daquela política pelo Presidente Putin.</p>
<p>BIBLIOGRAFIA</p>
<p>AMINEH, Mehdi Parvizi – “Globalization, geopolitics and energy security in Central Asia and the Caspian region”, CEP, The Hague, 2003.</p>
<p>BRZEZINSKI, Zbigniew – “The grand chessboard”, Basic Books, New York, 1997.</p>
<p>CLOVER, Charles &#8211; www.geocities.com/eurasia_uk/heartland.html</p>
<p>DUGIN, Alexander – “The great war of continents”, em www.bolsheviks.org/DOCUMENTS/THE%20GREAT%20WAR%20I.htm</p>
<p>DUGIN, Alexander – “The great war of continents”, em www.bolsheviks.org/DOCUMENTS/THE%20GREAT%20WAR%20II.htm</p>
<p>GORDON M. HAHN – “The rebirth of Eurasianism”, 12Jul2002, em www.therussiajournal.com/index.htm?obj=6041</p>
<p>HAHN, Gordon M. &#8211; em www.therussiajournal.com/index.htm?obj=6041</p>
<p>http://en.wikipedia.org/wiki/Alexander_Dugin</p>
<p>ILAN BERMAN – “Slouching toward Eurasia?”, Outubro de 2001,em www.bu.edu/iscip/vol12/berman.html</p>
<p>KLEVEMAN, Lutz, “The new great game: Blood and oil in Central Asia”, Atlantic Monthly Press, New York, 2003.</p>
<p>TRUBETSKOY, Nikolai – “Pan-Eurasian Nationalisms”, Ann Arbor, 1991.</p>
<p>www.vor.ru/culture/culturarch235_eng.html</p>
<p>www.tellur.ru/~historia/archive/06-00/puskas.htm</p>
<p><strong>Eduardo Eugénio Silvestre dos Santos</strong><br />
20 de Novembro de 2004<br />
<em>Jornal Defesa e Relações Internacionais</em></p>
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