20 de Abril de 2009

A Lusofonia, o Pan-Latinismo e a Eurásia como alternativas ao Atlantismo

Posted in Geopolítica Eurásica, Geopolítica Lusófona, Pan-Latinismo às 18:58 por revistarevolucao

flaviogoncalves01Lusofonia é o conjunto de identidades culturais existentes em países, regiões, estados ou cidades falantes da língua portuguesa como Angola, Brasil, Cabo Verde, Galiza, Guiné-Bissau, Macau, Moçambique, Portugal, São Tomé e Príncipe, Timor-Leste e por diversas pessoas e comunidades em todo o mundo.

A Eurásia é a massa que forma em conjunto a Europa e a Ásia. Pode ser considerada como um continente, ou mesmo um supercontinente composto pelos continentes europeu e asiático, separados pela cordilheira dos Montes Urais. Alguns países como a Rússia e Turquia estão nos dois continentes.

O Atlantismo é uma doutrina política que advoga uma intensa cooperação entre os Estados Unidos, Canadá e os países da Europa, nos domínios político, militar e económico, a qual deve ser encorajada e desenvolvida, devido à comunhão de valores entre estes países.

in Wikipédia, a enciclopédia livre

Não me tinha ocorrido participar directamente no projecto da Nova Águia, ao início julguei que sentiria ser suficiente promover e divulgar o projecto sem a tentação de submeter qualquer texto meu, textos esses que componho meramente porque me fazem sentir um pouco mais livre. Com as diversas apresentações da revista e do Movimento Internacional Lusófono bem como diversas leituras posteriores do Manifesto que anima os dois projectos, senti-me tentado a colaborar mais activamente, com a aquisição e leitura do primeiro número da revista solidifiquei essa tentação numa certeza: identifico-me com o projecto, logo nada mais lógico que tentar participar mais activamente neste.

Tendo sido informado da data limite para o envio de colaborações bem como a temática geral do segundo número, António Vieira e o Futuro da Lusofonia, senti-me um pouco desanimado, estou mais familiarizado com a obra de Agostinho da Silva e optei por submeter um texto meu apenas para o terceiro número da revista. Os dias passaram e fui remoendo a temática do segundo número, posso não estar familiarizado com a obra de António Vieira, mas tenho alguma familiaridade com a Lusofonia… colaboro em diversos projectos lusófonos e, mais que isso, estava também familiarizado com outras ideias antagonistas ao Atlantismo, ideias nas quais se inserem, além da Lusofonia, o pan-latinismo (ideia recente que advoga uma união e/ou colaboração mais directa entre os povos da Europa Latina e da América Latina) e a Eurásia. Porque não redigir um pequeno ensaio acerca da Lusofonia como alternativa ao Atlantismo, algo que nos é tão extraterrestre quanto presente no dia a dia?

Sendo um apologista da ideia da Eurásia como contraposição ao Atlantismo, ainda considero esta como uma solução perfeitamente válida e só agora, com o (re)nascimento da Águia compreendo que nunca considerei a Lusofonia – encarnada na realidade da CPLP – por uma questão geracional, nasci 5 anos após o 25 de Abril e não conheci o Portugal lusófono, mais que isso: herdei toda uma culpa de um passado que muitos pintam em berrantes cores como colonizador, imperialista e por vezes até racista e esclavagista, um legado demasiado pesado para a minha geração. Não! A solução teria de ser outra, o antagonismo que me surgiu como sendo mais válido foi a ideia da Eurásia, nascida já nos anos 20 mas só agora em velocidade de cruzeiro muito graças ao esforço teórico de Aleksandr Dugin e às concretizações práticas de Vladimir Putin, não é por mero acaso que o primeiro foi conselheiro geopolítico do segundo.

Familiarizando-me posteriormente com a obra do já falecido cientista político argentino Norberto Ceresole, curiosamente também conselheiro político de outro político em ascensão, o venezuelano Hugo Chávez Frias, também por intermédio dos apologistas da ideia da Eurásia encontrei o Pan-Latinismo.

Ora bem, a ascensão do Pan-Latinismo deve-se em muito aos esforços emancipadores da Venezuela bolivariana, este acaba por se tornar uma ramificação autónoma da ideia da Eurásia, embora afastado materialmente (leia-se geograficamente) desta, o espírito está plenamente presente na formação de um novo bloco geopolítico na América Latina, fruto da semente plantada no decorrer da Guerra Fria pelos cientistas políticos da Academia de Ciências da União Soviética e constantemente fertilizada pelos disparates da política externa das mais recentes administrações estadunidenses.

Xenofilia descarada? Admito que sim, um jovem português que procura soluções na fria Sibéria e na distante Caracas, soluções nas ideias concebidas longe do pátrio solo, soluções pensadas como novos impérios que contraponham o Atlantismo ocidentalista do Império estadunidense e do Estado europeu, a famosa União Europeia que transformou Portugal numa mera região comunitária com os resultados que estão à vista: miséria, pobreza, depressão e desespero.

Ah, a Lusofonia… tão ancestral, tão presente… uma ideia tão antiga, embora ainda maculada com os fantasmas do passado, complexos de colonizador por parte de uns e complexos de colonizados por parte de outros. Uma ideia antagonista realmente original, uma ideia – e uma alternativa – despojada de quaisquer desejos de Império, tão irrelevantes são consideradas as nações lusófonas individualmente, uma alternativa já em construção – embora demasiado estática ainda – desde a formação da Comunidade dos Países de Língua Portuguesa. Mais que tudo isso, uma ideia verdadeiramente nacional, inspirada na obra dos nossos antepassados e nas aspirações dos nossos autores.

A Lusofonia surge como a mais lógica, e racional, alternativa ao Atlantismo. Uma comunidade cultural variada – tendencialmente oriental – que contraponha a uniformização mundial do Atlantismo, que ao ritmo actual já nos tem a todos a comer, ler, ouvir e a vestir o mesmo, vivamos em Lisboa, no Corvo, em Vladivostok ou até em Caracas. No Zambeze ou em Dili.

Com base no passado português a Lusofonia é uma realidade tão presente que nem devia ser discutida, está aqui, existe, há que aproveitar o que há em vez de sonhar eternamente com o que não há, em xenofilias utópicas que por mais belas que aparentem ser não são reais, residem apenas no campo teórico.

O Pan-Latinismo e a Eurásia são alternativas válidas ao Atlantismo? Sim! Certamente, mas apenas na teoria, a Lusofonia já cá está!

Flávio Gonçalves
2º Semestre de 2008
Nova Águia

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