22 de Abril de 2009

Globalistas temem uma aliança entre a Bielo-Rússia e o Irão

Posted in Geopolítica Eurásica às 22:41 por revistarevolucao

raphaelA crise económica global do último ano está a desempenhar o seu papel na recriação de novas fronteiras e alianças políticas. Uma das mais danosas para os interesses dos EUA é o desenvolvimento de laços financeiros e militares entre a Bielo-Rússia e o Irão.

Embora a Bielo-Rússia seja um pequeno país, herdou um poderoso aparato técnico e científico da URSS, e os iranianos desejam usufruir deste enquanto se preparam para um possível ataque israelita.

Uma vez que os russos têm vindo gradualmente a reduzir os seus subsídios petrolíferos ao Estado bielorusso, o presidente Alexander Lukashenko vê-se forçado a encontrar aliados noutros lados, entre eles o Irão e os Emiratos Árabes Unidos (EAU).

A economia bielorussa é a mais saudável de todos os ex Estados soviéticos, com a menor taxa de desemprego e o número mais elevado de excedentes comerciais. O Irão e a Bielo-Rússia estão explicitamente a tentar transformar-se no centro de um novo bloco comercial independente dos EUA e da União Europeia, enraizado no livre comércio mas também na soberania dos povos. Este é um bloco antiglobalista que inclui a China, os EAU e a Arménia entre os seus membros.

As firmas petrolíferas bielorussas já assinaram contratos com o governo iraniano destinados à construção de plataformas petrolíferas e assistência técnica, uma vez que a Bielo-Rússia, no decorrer da Guerra-fria, era especializada na refinação petrolífera.

“Acreditamos que há necessidade de criar um sistema multipolar no mundo, o qual se caracteriza pelo balanço e pelo equilíbrio. Somos contra um sistema unipolar e contra a utilização da pressão sobre outros Estados”, afirmou o presidente iraniano. “É por esta razão que temos um ponto de vista positivo no que refere a diálogos bilaterais e multilaterais em vários níveis [com a Bielo-Rússia],” acrescentou. Uma ordem mundial enraizada na soberania e na descentralização é o real propósito por trás deste bloco.

O produtor automóvel iraniano, IKCO, retribuiu o favor e encontra-se a usufruir das habilidades técnicas bielorussas investindo fortemente no país. Num comunicado de imprensa conjunto recentemente emitido, os dois países efectuaram diversas afirmações: Primeira, que a crise económica global é da responsabilidade dos EUA e dos seus esquemas globalizantes. Segundo, que a razão de ser do bloco Irão/Bielo-Rússia é a de auxiliar a combater esta crise, e que a cooperação militar constituirá uma ampla parte desta cooperação. O Irão também se encontra numa fase de “alteração de moeda corrente” com o Banco Central Chinês, no qual o dólar estadunidense está a ser lentamente deixado de parte. Os chineses estão a apostar na utilização de diversas moedas de modo a evitarem uma dependência do dólar e ainda para diversificarem as suas reservas monetárias.

Isto é extremamente irritante para as organizações não governamentais (ONG) defensoras dos “direitos humanos” e para o Departamento de Estado dos EUA. Tanto o Irão como a Bielo-Rússia estão a desenvolver laços militares substanciais, e a imprensa global está apreensiva de que isto possa levar a que a Bielo-Rússia seja o veículo transmissor da tecnologia balística e nuclear russa para o Irão.

Este pensamento originou diversas reacções histéricas no Ocidente. A Rádio Liberdade condenou este bloco por considerar que este anula as sanções EUA-Israel contra o Irão, uma vez que o comércio flúi livremente da Bielo-Rússia, da Rússia, da Índia e da China para o Irão. As sanções dos EUA e de Israel foram colocadas de parte.

Matthew Raphael Johnson
13 de Abril de 2009
American Free Press

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